A cromotripsia é comum. Cerca de um em cada quatro cânceres humanos apresenta sinais desse fenômeno, com taxas ainda mais altas em alguns tumores, como os cerebrais. Entretanto, a causa molecular desse caos genético permanecia desconhecida.
Os pesquisadores identificaram que a responsável é a enzima N4BP2. Ela é capaz de penetrar em estruturas celulares chamadas micronúcleos, fragmentos de núcleos que contêm cromossomos mal distribuídos durante a divisão celular. Assim, provocar quebras massivas no DNA.
Esta descoberta finalmente revela a ‘faísca’ molecular que desencadeia uma das formas mais agressivas de rearranjo genômico no câncer.
Don Cleveland, autor sênior do estudo
Os experimentos mostraram que, quando a N4BP2 entra no núcleo celular, ela causa quebras cromossômicas até mesmo em células saudáveis. Por outro lado, quando a enzima é removida, os eventos de cromotripsia diminuem drasticamente.
Ao descobrirmos o que causa a quebra do cromossomo em primeiro lugar, passamos a ter um novo ponto de intervenção viável para retardar a evolução do câncer.
Como essa enzima age?
O processo tem início quando erros na divisão celular aprisionam cromossomos em micronúcleos, estruturas frágeis e instáveis. Quando esses micronúcleos se rompem, os cromossomos ficam expostos a enzimas capazes de cortar ou danificar o DNA de forma descontrolada.