O Kremlin, inaugurado no final dos anos 80 e considerado umas das primeiras grandes discotecas de Lisboa, fechou portas. No seu lugar inaugura esta quinta-feira o Santuário, um novo espaço que, “mais do que um club”, pretende ser “um destino cultural aberto a performances, ativações de marca, experiências gastronómicas e eventos corporativos que unem arte e entretenimento com autenticidade”, lê-se num comunicado enviado à imprensa.

A mesma nota sublinha que o espaço, que foi a meca da dança fora de horas no Portugal dos anos 90, será agora “mais do que uma discoteca”. “O Santuário apresenta-se como um ecossistema cultural e sensorial onde música, arte e gastronomia coexistem sob uma estética imersiva e intencional” e “uma resposta à nova era da música eletrónica e da vida noturna em Lisboa, cidade que se afirma cada vez mais como capital europeia da cultura e da experimentação”. O projeto é liderado por Filipe Martins, DJ e produtor também conhecido como Dub Tiger, e pelo empresário Fernando Rodrigues.

A discoteca já tinha encerrado em setembro, por ordem do Tribunal Judicial de Lisboa, devido a queixas dos moradores sobre o excesso de ruído. O grupo K, detentor do Kremlin, foi então obrigado a realizar obras de isolamento. Dois meses depois, no final de novembro, a mudança de ciclo era anunciada nas redes sociais “Kremlin fez parte da história da noite lisboeta, palco de memórias e encontros que marcaram gerações. Hoje, esse ciclo termina. No mesmo espaço, nasce algo totalmente novo — não uma continuação, mas uma disrupção. O SANTUÁRIO @santuariolx prepara-se para abrir portas, com identidade própria e sem concessões. O passado fica honrado. O futuro? Por descobrir…”, consta numa publicação no Instagram.

Inaugurado em 1988 no número 5 das Escadinhas da Praia, o Kremlin foi um marco na cultura eletrónica de dança no Portugal dos anos 90. Um dos traços distintivos do espaço era o facto de manter a traça original de antigo convento, com arcos de pedra. Segundo a nota de imprensa, o espaço foi “totalmente redesenhado”, com “uma nova arquitetura e direção artística” e dotado de “infraestrutura de som, iluminação e produção audiovisual de última geração” para “para acolher experiências imersivas e performances multidisciplinares, expandindo os limites do formato tradicional de clube”.

A inauguração oficial, prevista para esta quinta-feira, terá na programação Miguel Rendeiro, Tiago Cruz e Dub Tiger. O mês inaugural prolonga a celebração com atuações de Maddox, Nuak (Rodrigo Castelhano), Daveed, MDUSA, Gonçalo, Revimo Art, Pako Ramirez, Raedam e Dexx.