A Rússia irá, em pouco tempo, posicionar forças militares junto ao flanco oriental da NATO caso seja alcançado um acordo de paz na Ucrânia, alertou o primeiro-ministro da Finlândia. Petteri Orpo defende, por isso, um maior apoio financeiro europeu aos estados que compõem a fronteira da NATO (a leste).

Numa entrevista ao Financial Times, Orpo afirmou que Moscovo continuará a representar uma ameaça mesmo após o fim da guerra e que é “óbvio” que transferirá tropas para junto das fronteiras finlandesa e báltica. O chefe do governo finlandês apelou à solidariedade da União Europeia com os países do flanco oriental, que estão a aumentar significativamente a despesa na área da defesa e são, em proporção do respetivo produto interno bruto (PIB), os maiores financiadores da Ucrânia.

O aviso surge numa altura em que vários países da NATO receiam que a Rússia poderá estar pronta para um confronto de grande escala com a aliança atlântica dentro de três a cinco anos após o fim das hostilidades na Ucrânia. Estónia, Lituânia e Polónia deverão gastar mais de 5% do PIB em defesa já no próximo ano, ultrapassando o objetivo defendido pelo Presidente dos EUA, Donald Trump.

Orpo sublinhou que a Europa deve preparar-se para uma menor presença e envolvimento dos EUA na defesa do continente, devido a outras prioridades estratégicas de Washington. A Finlândia, que manteve historicamente elevados níveis de prontidão face à Rússia, enfrenta simultaneamente dificuldades económicas significativas, que obrigam a cortes na despesa pública.

O primeiro-ministro defendeu que os países do flanco oriental querem acesso não apenas a 1,5 mil milhões de euros de fundos europeus não utilizados, mas a uma parte substancial dos cerca de 130 mil milhões de euros previstos pela UE para a defesa no próximo quadro orçamental.

As declarações antecedem uma cimeira decisiva da UE, na qual os líderes europeus irão discutir o apoio financeiro à Ucrânia, incluindo o uso de ativos financeiros russos congelados. Orpo alertou que a Europa enfrenta um momento crítico para provar que é capaz de agir, admitindo que não apoiar financeiramente Kiev não é uma opção viável.