O arquitecto, professor universitário e curador português Joaquim Moreno será o próximo curador geral da oitava edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa, a decorrer em 2028, anunciou esta terça-feira a organização através de um comunicado.

Ao contrário da actual edição, a trienal optou por não fazer a selecção da curadoria através de uma open call, que incluía a definição do tema e do próprio título, com a ajuda de um júri com elementos exteriores à trienal. Recorde-se que o concurso —​ que recebeu 30 propostas de 15 países diferentes — resultou na escolha dos curadores Ann-Sofi Rönnskog e John Palmesino, dois arquitectos que fundaram a Territorial Agency, em Londres, e têm trabalhado a questão do Antropoceno. A sétima edição, ainda a decorrer, organizou-se em redor do tema “Quão pesada é uma cidade?”, com exposições no MAC/CCB, no Mude – Museu do Design e no MAAT – Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia​.

“Trata-se de uma escolha directa (prática que seguimos em edições alternadas) que incide sobre uma figura com sólida experiência curatorial, reconhecida pela sua elevada exigência, espírito crítico, singularidade e densidade do seu pensamento”, disse o presidente da trienal, José Mateus, citado pelo comunicado. “A escolha de Joaquim Moreno, um exímio trabalhador em equipa, assegura-nos simultaneamente uma reflexão original, relevante, e que oriente o olhar para territórios distintos das edições anteriores.”

Sobre a trienal, também citado pela organização, Joaquim Moreno (Luanda, 1973) afirmou que cada nova edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa aumenta o compromisso da arquitectura com a cidade.

Como lembra a trienal, Moreno tem investigado temas como a arquitectura escolar, as relações entre a arquitectura e as exposições ou entre os media e a pedagogia, tendo sido curador de exposições como Sala de Aula, um olhar adolescente, inaugurada em 2023 na Garagem Sul do Centro Cultural de Belém (Lisboa), que propôs repensar o futuro da escola a partir de temas como o corpo, a assembleia e a transgressão, numa colaboração do Plano Nacional das Artes, do centro francês de arquitectura arc en rêve e da instituição belga de arte, design e arquitectura Z33.

Quatro anos antes, também na Garagem Sul, foi curador da exposição A Universidade Está no Ar – Difundir a arquitectura moderna Reino Unido 1975/1982, organizada pelo Canadian Centre for Architecture, sobre a divulgação da arquitectura através da televisão.

Moreno foi igualmente curador da representação nacional na Bienal de Veneza em 2008, juntamente com o filósofo José Gil, no ano em que Portugal apresentou um pavilhão que juntava a obra do arquitecto Eduardo Souto de Moura e do artista Ângelo de Sousa.

Em 2021, desta vez na Casa da Arquitectura (Matosinhos), foi curador, com Alexandra Areia, da exposição Radar Veneza: arquitectos portugueses na Bienal 1975-2021, sobre a representação de Portugal naquela exposição internacional. Fez parte do último júri da Bienal de Arte de Veneza, que escolheu Alexandre Estrela como o artista que vai representar Portugal na edição de 2026.

Licenciado pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, com mestrado na Escola Técnica Superior de Arquitectura de Barcelona e doutoramento em Teoria e História da Arquitectura pela Universidade de Princeton, Joaquim Moreno é actualmente professor associado da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, onde dirige igualmente o mestrado integrado em Arquitectura.