Neil Newbon, ator que deu voz a personagens como Astarion em Baldur’s Gate 3, tem palavras sérias a partilhar sobre o uso da inteligência artificial generativa na indústria dos videojogos: “a IA que se vá lixar”.
Num ano marcado por produções independentes e no qual foi demonstrado maior reconhecimento pelos atores de voz, a IA continua a figurar como um dos principais destaques para várias mega editoras e produtoras dos videojogos. Ao longo dos últimos meses, tivemos polémicas em torno do uso da IA em jogos como Arc Raiders, Black Ops 7 e o novo Postal foi cancelado dias após o anúncio.
Perante isto, Newbon não desarma da sua oposição ao uso da IA para substituir atores, “comparativamente, a quantia de dinheiro que custa gravar estas vozes comparado com o resto da produção do jogo é irrisória.”
Para o ator, não há justificação para tirar o trabalho às pessoas, pois quando um jogo tem sucesso, a produtora até pode chamar os atores e adicionar vozes depois do lançamento porque não tinha dinheiro durante a produção. “Não posso comentar sobre as especificidades de algo como a tecnologia de texto para fala em Arc Raiders, mas a IA generativa é um não.”
Newbon diz que é especialmente problemático ver uma produtora usar a voz de alguém para a manipular da forma que lhe apetece, uma vez que está a “roubar ao ator o dinheiro desse dia de trabalho, e está a roubar ao ator a capacidade de cuidar de si ou da sua família, a maioria dos atores não são ricos.”
Apesar de entender que as produtoras passam dificuldades financeiras, insiste que não há desculpa pois quando conseguem ter sucesso, podem voltar atrás e gravar as falas com os atores. Além disso, considera que as vozes por IA generativa são muito aborrecidas, quebram a imersão, o que prejudica a experiência. O ator relembra ainda como muitos dos maiores jogos de todos os tempos são engrandecidos pelo desempenho dos atores e como ficariam se as produtoras tivessem usado vozes por IA.