Com 52,2% dos direitos de voto na Volkswagen AG (o Grupo VW), as famílias Porsche e Piëch controlam o gigante alemão, o maior construtor europeu e o segundo maior do mundo, através da Porsche SE — a mesma entidade dona da Siva em Portugal —, a holding das famílias. Mas, apesar de muito endinheirados, alguns membros destas famílias tiveram de recorrer aos bancos para conseguir controlar a Porsche e simultaneamente a VW, que é dona de 75% do construtor alemão de desportivos. E, para pagar os empréstimos, contam com os lucros a distribuir pelo maior consórcio alemão, o que nos dias que correm está longe de estar garantido.
À semelhança de outros construtores, o Grupo Volkswagen atravessa um período de grandes investimentos que teimam em diminuir os lucros e, com eles, a distribuição de dividendos pelos accionistas. E, num momento em que as marcas do conglomerado germânico se preparam para lançar uma série de veículos eléctricos, que obrigam a investir em fábricas novas (ou adaptar as velhas), além de plataformas, software e instalações para produzir baterias, os investidores da VW não devem esperar grande distribuição de lucros nos próximos anos.
De acordo com a imprensa germânica, há cerca de 80 elementos do clã Porsche-Piëch em posições de destaque no universo VW. Só um deles, o advogado de 83 anos Hans Michel Piẽch, irmão de Ferdinand Piëch — o engenheiro que foi CEO da Volkswagen AG entre 1993 e 2002 —, recorreu à banca em 2017 para obter 1,1 mil milhões de euros, com que adquiriu a maioria das acções da Porsche SE detidas por Ferdinand, para se tornar no maior accionista. Hans Michel contava com os dividendos pagos pelo grupo, que têm rondado mil milhões de euros anuais, só para o clã, mas essa torneira aparentemente secou e assim vai continuar durante os próximos anos.
Com os lucros da Porsche SE distribuídos à família a caírem 25% em 2024 e a prever-se que voltem a cair ainda mais este ano, a falta de liquidez é a palavra de ordem. O mau momento que atravessam é confirmado pelo valor da própria holding do clã, que ronda hoje 7 mil milhões de euros, tendo perdido aproximadamente 3 mil milhões desde 2022, quando a Porsche foi lançada em bolsa. Mas este construtor de desportivos não está em melhor forma, uma vez que os seus títulos foram cotados a 82,50€ em Setembro de 2022, tendo chegado a subir até 118,90€ (em Abril de 2023), para depois caírem progressivamente desde então, valendo apenas 46,16€ à hora do fecho de ontem, 15 de Dezembro.