As necessidades líquidas de financiamentos em 2026 ascendem a 13 mil milhões de euros, revela o IGCP. O IGCP diz ainda que “em 2026 espera-se que o financiamento líquido resultante da emissão de BT tenha um impacto de 5,1 mil milhões de euros”.
A 15 de dezembro de 2025 foi aprovado o Programa de Financiamento da República Portuguesa para 2026 que contempla as principais linhas de atuação em termos da gestão da dívida direta e das disponibilidades de tesouraria do Estado que será executada pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP.
As necessidades líquidas de financiamentos em 2026 ascendem a 13 mil milhões de euros, revela o IGCP.
Tendo em consideração a proposta de Orçamento do Estado para 2026, as necessidades brutas de financiamento para 2026 são de 29,4 mil milhões de euros, tendo em conta que a gestão da tesouraria que reporta uma diminuição do saldo global dos depósitos, de 300 milhões, para fazer face a compromissos de pagamento.
Para satisfazer essas necessidades de financiamento o IGCP conta assim emitir 29,7 mil milhões em títulos de dívida das várias tipologias. Sendo que a maior componente é dívida de longo prazo, ou Obrigações do Tesouro, que na previsão da agência liderada por Pedro Cabeços ascende a 24 mil milhões.
Um montante de 24,0 mil milhões será obtido via emissão bruta de OT, combinando sindicatos e leilões, prevendo-se a realização de 3 emissões sindicadas e 9 leilões, revela o IGCP.
Os leilões de OT terão a participação dos Operadores Especializados de Valores do Tesouro (OEVT) e Operadores de Mercado Primário (OMP) e serão realizados à segunda ou quarta quartas-feiras de cada mês. O montante indicativo e as linhas de OT a reabrir serão anunciados ao mercado até 3 dias úteis antes do leilão.
“A estratégia de financiamento para 2026 centrar-se-á na emissão de títulos de dívida pública em euros nos mercados financeiros, com a realização regular de emissões de Obrigações do Tesouro (OT) para promover a liquidez e o eficiente funcionamento dos mercados primário e secundário. Em 2026, pretende-se dinamizar o programa de papel comercial (Euro Commercial Paper), bem como o programa Euro Medium Term Notes (EMTN), que permitirá explorar a emissão de títulos de curto e médio-longo prazo em diferentes moedas. Adicionalmente, o IGCP avaliará ao longo do ano a possibilidade de realizar operações de troca e recompras de títulos”, explica na nota a agência que gere a dívida do Estado.
O IGCP diz ainda que “em 2026 espera-se que o financiamento líquido resultante da emissão de BT tenha um impacto de 5,1 mil milhões de euros. Será mantida a estratégia de emissão ao longo de toda a curva de curto prazo”. O IGCP anuncia que manterá a realização de leilões mensais de BT na terceira quarta-feira de cada mês e, se se justificar, poderá também usar a primeira quarta-feira do mês.
“O montante indicativo dos leilões continuará a ser anunciado ao mercado até 3 dias úteis antes do leilão. A decisão de alocação a cada série caberá ao IGCP em função da procura verificada e do respetivo preço”, refere a agência.
No calendário de BT estão previstas três emissões em janeiro e março e três reaberturas em fevereiro e março. Isto é, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública emitirá, num novo leilão, títulos de dívida pública que já tinham sido originalmente lançados para o mercado numa data anterior, mas com a mesma data de vencimento (maturidade) e as mesmas caraterísticas.
Há uma emissão a 10 meses de BT no dia 7 de janeiro no valor entre 1.000 milhões a 1.250 milhões de euros; uma emissão no mesmo montante mas de BT a 12 meses no dia 21 de janeiro; e depois há uma emissão a 12 meses, no dia 18 de março, no valor de 1.750 milhões a 2.000 milhões.
Nas reaberturas há dois leilões a 18 de fevereiro, no montante indicativo de 1.500 milhões a 1.750 milhões, de prazos 9 e 11 meses.
Depois há outro leilão de BT a 6 meses no valor de 1.750 milhões a 2.000 milhões de euros, a 18 de março.