
Estudos geológicos recentes indicam a existência de elementos críticos no subsolo português. Alentejo e Nordeste Transmontano revelaram ser áreas-chave. A Europa está atenta.
A notícia de que Portugal começa a surgir no radar europeu como potencial fornecedor de terras raras é dada esta segunda-feira pelo Jornal de Notícias.
Segundo o matutino, as descobertas mais recentes foram no Alentejo e nalgumas regiões com forte presença de ferro, como Moncorvo, no Nordeste Transmontano.
“O Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) fez um levantamento em 2022 e houve algum interesse de empresas privadas em avançar nas explorações preliminares”, revelou, ao JN, o geólogo Luís Martins.
No entanto, o especialista acrescentou que “o levantamento é ainda muito preliminar e estamos muito longe de uma possível exploração“.
Segundo Luís Martins, as terras raras surgem frequentemente associadas a depósitos de ferro, como acontece em Moncorvo.
Em Penedo Gordo, no Alentejo, por exemplo, foram identificados elementos como zircónio, háfnio, titânio, nióbio, tântalo, ítrio e escândio, todos eles cada vez mais procurados no setor tecnológico.
Os elementos de terras raras, também conhecidos como metais de terras raras, são um grupo de 17 elementos químicos na tabela periódica. Incluem os 15 lantanídeos, além do escândio (21Sc) e do ítrio (39Y), que tendem a ocorrer nos mesmos depósitos minerais que os lantanídeos e apresentam propriedades químicas semelhantes.
Estes elementos são essenciais em várias aplicações tecnológicas e industriais devido às suas propriedades únicas, como magnetismo, luminescência e resistência elétrica.
ZAP // Wikipedia

Terras Raras na Tabela Periódica
Nem todos os minerais identificados no Alentejo integram tecnicamente o grupo das chamadas terras raras, mas muitos são considerados estratégicos ou críticos.
Num momento em que a União Europeia procura reduzir a dependência externa em relação à China, a busca por estes elementos no Velho Continente é cada vez mais importante e Portugal pode vir a ser fulcral.
Também temos ouro e prata
Como refere o JN, além destes minerais, várias das zonas estudadas revelam ainda indícios de outros metais valiosos, como ouro, prata, estanho, chumbo, zinco e volfrâmio.
Luís Martins destacou a existência de dois depósitos de ouro de grande dimensão: Montemor e Jales/Gralheira.
“Há cerca de um milhão de onças de ouro evidenciadas, que à cotação atual valem cerca de 3,6 mil milhões de euros”, revelou.
“Devemos apostar na exploração mineira nos próximos anos. Fazemo-lo melhor do que muitos países da Europa, mesmo em termos de impactos ambientais. Estamos à beira de uma nova revolução com estes recursos“, previu.