Depois de ter sido noticiado que o ator Joel Branco, de 80 anos, estará internado num hospital e sem qualquer apoio familiar, Rui Santos usou as redes sociais para fazer uma partilha acerca desta situação, começando por afirmar: “É isto que me indigna.”
“Eu sei que há casos muito complexos de famílias desagregadas e com problemas de empatia. Sei também que há núcleos familiares muito fortes, em que cada qual trata de cada qual. Conheço casos que representam as duas matrizes e fico sinceramente feliz quando vejo familiares mais jovens tratarem com carinho os seus entes mais queridos que entram na idade da velhice e que precisam dos seus cuidados; mas fico destroçado quando leio notícias como mais esta, neste caso a envolver o ator Joel Branco”, continuou o comentador da CNN Portugal.
“A perceção que tenho, assente em diversas realidades, é que o fenómeno da velhice e a ausência de acompanhamento que leva ao abandono é um dos problemas sociais mais graves que atravessam e contaminam as sociedades, e está a banalizar-se segundo o trágico pensamento que ‘já viveste muito tempo, conforma-te com isso, morre para aí, que é aquilo que nos está reservado a todos!’. Não, mil vezes não!”, afirmou, taxativo, Rui Santos.
De seguida, o comentador prosseguiu: “Não podemos, cada qual, aceitar esta banalização, esta falta de empatia e de amor, como se só importasse viver o melhor possível enquanto se tem o conforto da saúde e desprezar aqueles que, em muitos casos, nos proporcionaram o ser antes do ter. Apesar de conhecer extraordinários profissionais de saúde, e de esta constituir um dos maiores problemas do país (por causa de um sistema que não funciona, independentemente da competência dos médicos), há relações com a ineficácia com que (não) se trata da saúde mental, mas esta é uma questão que ultrapassa os dramas da saúde mental. É a falta de empatia entre as pessoas.
É a falta de respeito. É o egoísmo. É a falta de partilha desinteressada. É o tempo a mudar para pior. As pessoas já nem comunicam. Agora é a troca de mensagens, e quando é.”
“E, quando chega o Natal, vem a solidão ou a hipocrisia a sentar-se à mesa entre perus e corações vazios. Há gente boa? Claro que sim! Mas as gerações mais jovens não podem achar que é isto que está certo. Há uma escala de milhares (dezenas, centenas?) de ‘Joéis Brancos’ neste País! Que não podem ser deixados ao abandono apenas porque são velhos!”, rematou Rui Santos.