Em menos de 40 minutos, ficámos a saber tudo, o que não é nada vulgar em coisas organizadas pela FIFA – veja-se a interminável cerimónia do sorteio do Mundial 2026, que até teve um prémio de paz pelo meio. Neste jantar de prémios no Qatar para os “The Best” de 2025, nada de grandes discursos, um galardão atrás do outro em velocidade supersónica e, no final, o prémio de melhor jogador do ano para Ousmane Dembélé, avançado do PSG. O francês foi, aliás, o único de todos os premiados que subiu ao palco para receber o prémio da FIFA, numa noite dominada pela formação parisiense, vencedora da última edição da Liga dos Campeões – ganhou ainda o prémio de melhor guarda-redes (Donnarumma), melhor treinador (Luis Enrique) e teve seis no melhor “onze” do ano, incluindo Nuno Mendes e Vitinha.

Dembélé foi sintético nos seus “merci”: aos colegas, aos treinadores, à família, ao presidente do PSG e ao presidente da FIFA Gianni Infantino que, ficámos a saber pela boca do internacional francês, lhe mandou uma mensagem no aniversário. E foi assim que a FIFA tratou dos seus prémios anuais para melhor do ano, em menos de metade do tempo que dura um jogo de futebol.

Foi tudo muito sintético, sem muita conversa e, sobretudo, sem os protagonistas – os anfitriões, Alessandro del Piero e a modelo suíça Melanie Winiger, não saíram do palco, Infantino esteve no início e no fim. Luis Enrique, que está no Qatar com o PSG para defrontar nesta quarta-feira o Flamengo na Taça Intercontinental, não apareceu no jantar. Mandou o adjunto Rafael Pol, que também não deve ter ficado para o jantar – foi receber o prémio de fato de treino, agradeceu com um acenar de cabeça e foi embora.

Durante a curta cerimónia, ouviu-se muitas vezes o nome PSG, que arrecadou muitos dos prémios. Para além de Dembélé, que bateu na votação Lamine Yamal (Barcelona) e Kylian Mbappé (Real Madrid), e Enrique, que superou Arne Slot (Liverpool) e Hansi Flick (Barcelona), Gigi Donnaruma, que se transferiu neste Verão para o City, foi eleito o melhor guarda-redes, e foram seis os jogadores do PSG no melhor “onze” do ano: Donnarumma (PSG/City), Hakimi (PSG), Pacho (PSG), Van Dijk (Liverpool), Nuno Mendes (PSG), Palmer (Chelsea), Bellingham (Real Madrid), Vitinha (PSG), Pedri (Barcelona), Yamal (Barcelona) e Dembélé (PSG).

No que diz respeito ao prémio Puskas, que premeia o melhor golo do ano, o distinguindo foi Santiago Montiel, jogador do Independiente, pelo golo que marcou num jogo da liga com um pontapé de bicicleta de fora da área. Entre os nomeados estava um português, Kevin Rodrigues, lateral do Kasımpasa.

Nos prémios femininos, a espanhola Aitana Bonmati, média do Barcelona, foi considerada “The Best” em 2025, ela que já tinha ganho este prémio em 2023 e 2024 – as outras duas finalistas foram as espanholas Alexia Putellas (Barcelona) e Mariona Caldentey (Arsenal). A neerlandesa Sarina Wiegman, seleccionadora de Inglaterra, foi eleita a melhor treinadora, a mexicana Lizbeth Ovalle recebeu o prémio Marta para o melhor golo.

Carreira recuperada

A primeira metade da presente época pode não estar a ser muito boa para Ousmane Dembélé – voltou a ser muito afectado por lesões e ainda só marcou três golos em 13 jogos, quase todos como suplente utilizado. Mas 2024-25 foi mesmo uma época de total superação para o avançado francês de 28 anos, a sua melhor de sempre a todos os níveis: 35 golos e 14 assistências foram os seus números individuais, decisivos para as múltiplas conquistas do PSG, campeão francês, vencedor das duas taças, da Supertaça e da Champions. Já tinha ficado com a Bola de Ouro da France Football, ficou agora com o “The Best” da FIFA.

Pode dizer-se que foi em Paris que Dembélé conseguiu recuperar uma carreira que parecia desregulada no seu anterior clube, o Barcelona. Contratado em 2017 ao Borussia Dortmund por um total de 135 milhões para fazer esquecer Neymar (que tinha ido para o PSG), Dembélé passou anos muito difíceis na Catalunha, com muitas lesões que limitaram o seu impacto no “Barça”. Em 2023, os “blaugrana” venderam-no ao PSG por menos de metade do preço de custo (50 milhões) e Dembélé como que renasceu, tornando-se na principal referência do ataque móvel dos parisienses e ocupando com distinção o vazio deixado pela partida de Mbappé, que nunca foi o melhor do mundo, nem para a France Football, nem para a FIFA.