A intervenção feita durante a apresentação do novo modelo de Ação Social para o Ensino Superior foi disponibilizada na íntegra pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), depois de ter sido noticiado que o Fernando Alexandre estaria a responsabilizar os alunos pobres pela degradação das residências, e de o PS ter exigido que se retratasse pelas supostas declarações “preconceituosas”. Em entrevista à RTP Notícias, o governante defendeu que a interpretação feita foi “gravíssima” e uma “distorção total”, apelando a que se tivesse em conta toda a intervenção, em que, de facto, não relacionou os estudantes carenciados à maior degradação das residências que ocupam.
No discurso de cerca de 20 minutos, o ministro da Educação sublinhou que “as residências académicas não deviam ser espaços para os alunos mais pobres, para os alunos de baixos rendimentos, que é o que são”. “Nós queremos que as residências sejam espaços de integração, espaços de bem-estar, é a palavra que nós usamos sempre. Para serem isso e contribuírem para o sucesso académico dos alunos, elas têm que ser espaços, sobretudo, de acolhimento dos alunos deslocados, independentemente da sua condição social. E têm que perder o estigma de ser espaços de acolhimento de alunos de rendimentos mais baixos”, argumentou Fernando Alexandre.
De acordo com o responsável pela pasta da Educação, o plano de Ação Social apresentado tem como base “a igualdade de oportunidades e a igualdade de escolha”. A ideia inicial – que não foi implementada por falta de consenso – seria não distinguir a componente “alojamento” da bolsa atribuída aos estudantes, optem ou não por uma residência. “Isto queria dizer que nós íamos ter que mudar completamente a forma de gerir as residências. Porque as residências deixariam de ser o espaço para onde nós empurramos os alunos da Ação Social, de rendimentos mais baixos, e passariam a ser espaços que as universidades e os politécnicos teriam que promover de forma mais competitiva para atrair alunos de rendimentos mais baixos e de rendimentos mais elevados”, explicou.
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Porém, a ideia de “revolucionar” a forma de gerir as residências, “tornando-as verdadeiramente lugar de integração dos alunos deslocados e de baixos rendimentos” não foi, de acordo com o governante, acolhida pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) e pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP). “Ou seja, nós vamos continuar a ter um sistema que empurra, a palavra é esta, os estudantes bolseiros para as residências. E isto diminui a diversidade (…) porque basicamente nós ficamos com pessoas do mesmo estrato social”.
“Se há coisa que é importante para a mobilidade social e para a democracia é a mistura de estratos sociais. E aquilo que nós fazemos no Ensino Superior é não misturar. É pôr nas residências universitárias os estudantes dos meios socioeconómicos mais desfavorecidos. E por isso também, já agora, é que depois elas se degradam, é por isso que elas depois se degradam, é por isso que elas depois não são cuidadas”, afirmou Fernando Alexandre.