Susie Wiles, atual chefe de gabinete de Donald Trump, descreve Trump como megalómano com “personalidade de alcoólico” que age com a convicção de que pode fazer tudo. Critica ainda Musk, chamando-lhe “Nosferatu hiperativo” e revela que Trump não acredita que Putin queira apenas parte da Ucrânia.

Nathan Howard/Reuters
Nos Estados Unidos é comum que políticos e altos funcionários publiquem memórias sobre o tempo que passaram na Casa Branca ou no governo. Estas são obras em que se desvendam os bastidores do poder.
É exemplo disso o livro “The Briefing”, publicado em 2018, escrito por Sean Spicer, comunicador e assessor experiente que trabalhou com Donald Trump na Casa Branca, e que revelou o outro lado da política. O que não é tão usual é que este ‘abrir do pano’ ocorra quando estes profissionais ainda se encontram no cargo como é o caso de Susie Wiles, atual chefe de gabinete de Donald Trump.
Wiles deu doze entrevistas à revista Vanity Fair, conduzidas pelo jornalista Chris Whipple, que resultaram numa reportagem, dividida em duas partes, publicada esta terça-feira. Ainda que a chefe de gabinete não antagonize abertamente o presidente norte-americano, também não se coíbe em apresentar um retrato da personalidade do chefe de Estado.
Trump é descrito como alguém megalómano, que não aceita que não possa fazer o que quer que seja. Wiles afirma que, aos seus olhos, o presidente tem “personalidade de alcoólico” e explica o que quer dizer com isto: “alcoólicos funcionais, ou alcoólicos em geral, têm personalidades que se exacerbam quando bebem. E, nesse sentido, sou uma espécie de especialista em personalidades fortes… Trump tem a personalidade de um alcoólico… e age com a convicção de que não há nada que ele não possa fazer. Nada, absolutamente nada.”
Na sua perspetiva, as deportações de imigrantes foram longe demais e garante que se opôs ao indulto dos agressores mais do Capitólio, mas acabou ignorada. Ainda assim, considera ser uma ‘facilitadora’ da vontade de Trump, mesmo que o aconselhe a seguir caminhos mais sensatos.
A chefe de gabinete garante ainda que Trump não está constantemente a pensar em vingança, mas “quando a oportunidade surge, ele aproveita-a“.
Por Elon Musk, assume, não morre de amores e acusa-o de ser um “Nosferatu hiperativo” e um “lobo solitário completo”. Acusa-o de ter ignorado todas as diretrizes da Casa Branca e de ter agido sem restrições.
“O desafio com Elon é acompanhá-lo. Ele é um consumidor assumido de cetamina [uma substância psicadélica presente em alguns medicamentos, mas com potencial de abuso, segundo a Sociedade Portuguesa de Aplicação Clínica de Enteógenos], dorme num saco-cama no prédio do escritório executivo durante o dia. É muito, muito excêntrico, como eu acho que os génios são. Não é o ideal, mas ele é uma pessoa com uma personalidade muito forte“, afirma Wiles.
Sobre a posição de Trump em relação à Rússia, a chefe de gabinete faz ainda uma revelação. Nem tudo o que parece é… e Trump não terá assim tantas certezas em relação a Putin. A equipa de Trump esteva dividida sobre qual seria o real objetivo de Putin.
Ao jornalista Chris Whipple, Wiles indicou, em agosto, que “os especialistas acham que, se ele conseguisse o resto de Donetsk, ficaria satisfeito”, mas Trump não acreditava nisso.
O presidente dos EUA não achava que Putin quisesse a paz.