Nuno Loureiro liderava um laboratório no MIT. “Esta é uma investigação de homicídio”

Nuno Loureiro, 47 anos, português e diretor de um laboratório no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), foi morto a tiro segunda-feira na sua residência em Brookline, nos arredores de Boston, num caso que está a intrigar a comunidade local e que está a ser investigado pelas autoridades norte-americanas como homicídio.

Segundo a polícia de Brookline, os agentes responderam a um alerta de disparos de arma de fogo numa residência da Gibbs Street por volta das 20h30 locais de segunda-feira. “Uma vítima foi encontrada após ter sido baleada várias vezes”, afirmou o vice-superintendente da polícia local, Paul Campbell, em declarações à WBZ-TV.

A vítima, Nuno Loureiro, foi transportado de ambulância para um hospital em Boston, onde acabou por morrer na manhã desta terça-feira. Até ao momento, as autoridades não divulgaram mais pormenores sobre as circunstâncias do sucedido, nem indicaram se existe algum suspeito identificado. “Esta é uma investigação de homicídio ativa e em andamento”, afirmou o gabinete do procurador distrital do condado de Norfolk, Michael Morrissey, em comunicado.

A morte do professor português causou forte impacto no MIT. Em maio do ano passado, Nuno Loureiro tinha sido nomeado diretor do Centro de Ciência de Plasma e Fusão da instituição, descrito no site oficial como “um dos maiores laboratórios do MIT”, com mais de 250 investigadores, estudantes e funcionários a tempo inteiro distribuídos por sete edifícios.

De acordo com informação publicada pela própria instituição, o antigo aluno do Instituto Superior Técnico (IST) era reconhecido pelas suas investigações sobre o funcionamento do plasma, “particularmente a turbulência e a física que sustenta as erupções solares e outros fenómenos astronómicos”. Dedicava-se também ao estudo da forma de aproveitar a energia de fusão limpa como resposta às alterações climáticas.

Ligado à prestigiada universidade de Cambridge desde 2016, o português tinha expressado publicamente a admiração pelo MIT numa entrevista concedida em 2017. “Profissionalmente, estou completamente impressionado com o que é o MIT”, afirmou na altura. “Nós lemos sobre o MIT e conversamos com as pessoas sobre o MIT, mas antes de vivê-lo não se entende completamente o tipo de lugar que é.”

Num comunicado enviado à imprensa, um porta-voz do MIT manifestou pesar pela morte do docente. “Os nossos mais profundos sentimentos estão com a sua família, alunos, colegas e todos aqueles que estão de luto”, referiu, acrescentando que estão a ser promovidas ações e conversas internas para apoiar a comunidade académica afetada pela perda.

Segundo a CBS News, as circunstâncias da morte do professor português continuam por esclarecer, enquanto a investigação prossegue nos Estados Unidos.

Notícia foi dada pelo MNE

As primeiras informações da morte de Nuno Loureiro chegaram pela voz do ministro dos Negócios Estrangeiros no parlamento. Paulo Rangel falava no início da sua audição regimental na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, que esta terça-feira, por iniciativa do presidente da comissão, José Cesário, começou com um minuto de silêncio pela morte de duas crianças lusodescendentes em França, na sequência de uma explosão de gás.

Rangel associou-se a este minuto de silêncio e lamentou a morte das duas crianças, de três e cinco anos, partilhando com os deputados a notícia da morte de Nuno Loureiro, assassinado a tiro em Boston.

Entretanto, também o Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN) e o Instituto Superior Técnico emitiram uma nota de pesar conjunta pela morte do cientista, que passou por ambas as instituições portuguesas.

“O Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN) e o Instituto Superior Técnico lamentam profundamente a notícia da morte do cientista Nuno Loureiro. Formado em Engenharia Física Tecnológica no Técnico, foi investigador no IPFN, onde veio a liderar o grupo de Teoria e Modelização. Atualmente desenvolvia o seu trabalho em física teórica e as suas aplicações em fusão no Plasma Science and Fusion Center, um dos maiores laboratórios do Massachussets Institute of Technology (MIT), que dirigia deste maio do ano passado. Os seus amigos e colegas do IPFN e do Técnico, alguns dos quais continuaram até hoje a colaborar com o Nuno, estão profundamente consternados pelo seu desaparecimento prematuro. Lembramos um colega brilhante, com quem era um prazer científico e pessoal colaborar”, lê-se na nota de pesar.