Os Estados Unidos decidiram classificar a Venezuela como um estado “terrorista”. Pelo menos é isso que garante o Presidente norte-americano, Donald Trump, que anunciou também que vai impor um “bloqueio total e completo aos petroleiros” na entrada e saída do país. Em resposta, o Governo venezuelano denunciou a intenção como uma “ameaça grotesca” e afirmou que o objetivo de Washington é “roubar as riquezas” venezuelanas.

Numa publicação longa na rede social Truth Social, em que declara o regime como “TERRORISTA” em letras maiúsculas, Trump frisa que o país está “completamente cercado” pela “maior Armada de sempre na História da América do Sul” e que esta só vai aumentar.

Na mesma publicação, o Presidente dos Estados Unidos acusa a Venezuela de ter roubado território, petróleo e “outros bens” aos Estados Unidos e promete que o país ficará cercado até devolver o que “roubou” através do “regime ilegítimo de Maduro”.

Nesta publicação, Trump prossegue dizendo que Maduro está a usar os bens roubados para “financiar homicídios, tráfico humano, terrorismo com drogas e raptos” e que por isso será classificado como terrorista.

Além disso, o governante aproveita para criticar a administração do seu antecessor, Joe Biden, dizendo que nessa altura de governação “fraca e inapta” entraram no país muitos imigrantes ilegais venezuelanos e que esses estão a ser “rapidamente devolvidos“.

“A América não vai permitir que criminosos, terroristas ou outros países que roubem, ameacem e magoem o nosso país, assim como não vai permitir que um regime hostil leve o nosso petróleo, território ou quaisquer outros bens”, atira ainda.

Ainda na terça-feira, o Governo venezuelano respondeu ao anúncio de Trump com duras críticas à Casa Branca, com um comunicado do executivo de Nicolás Maduro a afirmar que Trump “pretende impor de forma absolutamente irracional um suposto bloqueio militar naval” com o objetivo de “roubar as riquezas” venezuelanas.

O Governo de Maduro considera que a decisão de Trump viola “o direito internacional, o livre comércio e a livre navegação”, o que classificou como “ameaça temerária e grave”.

Caracas acrescenta que a “verdadeira intenção” do Presidente norte-americano “sempre foi apropriar-se do petróleo, das terras e dos minerais do país por meio de gigantescas campanhas de mentiras e manipulações”, uma acusação que vem a repetir há semanas.

“Nas suas redes sociais, ele [Trump] assume que o petróleo, as terras e as riquezas minerais da Venezuela são sua propriedade”, afirma o Governo venezuelano, reafirmando a soberania da nação sul-americana sobre os seus recursos naturais e o seu “direito à livre navegação e ao livre comércio no mar das Caraíbas e nos oceanos do mundo”.

Caracas anuncia ainda que procederá, em “estrita conformidade com a Carta da ONU, de acordo com o exercício pleno da sua liberdade, jurisdição e soberania, acima das ameaças belicistas”, e que o seu embaixador junto ao organismo multilateral denunciará de imediato “essa grave violação do direito internacional contra a Venezuela”.

“A Venezuela nunca mais voltará a ser colónia de um império ou de qualquer potência estrangeira”, afirma o comunicado do Governo venezuelano, que apela ao povo norte-americano e ao mundo para “rejeitarem por todos os meios esta ameaça extravagante”.

Na segunda-feira aconteceu mais um ataque a embarcações que os EUA garantem que transportavam drogas da Venezuela, provocando oito mortos. A pressão de Trump sobre o regime de Maduro (que, garante, é ele próprio líder de um cartel de droga) tem vindo a aumentar, com o envio de navios americanos para patrulhar a costa venezuelana e a sugestão de que a campanha pode chegar mesmo a território venezuelano. Ainda na semana passada Trump garantiu que os ataques contra traficantes de droga em terra iriam começar em breve.

“Todos os barcos que se viu que foram abatidos salvaram 25 mil vidas norte-americanas. Acabámos com 96% das drogas que vinham através por água. E agora vamos começar por terra. Por terra é mais fácil. E vai começar a acontecer. Não vamos deixar que [as drogas] destruam as nossas famílias”, disse na Casa Branca.