Português foi morto a tiro na sua residência em Brookline, nos arredores de Boston
A morte violenta de Nuno Loureiro, físico português e diretor de um laboratório no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), está a causar choque numa zona residencial habitualmente tranquila, nos arredores de Boston, Estados Unidos.
Em declarações à imprensa norte-americana, vizinhos relatam ter ouvido vários disparos na noite de segunda-feira, mas nunca pensaram tratar-se de um homicídio.
A vizinha de cima da família Loureiro contou ao Boston Globe que estava a acender uma vela na menorah quando ouviu vários tiros. Assim que abriu a porta, viu Nuno Loureiro caído na entrada do prédio e ligou imediatamente para o 911 (equivalente ao 112 português).
“Agora não consigo dormir. Esta família é espantosa. Não consigo imaginar alguém que o quisesse matar. Devo ter medo agora?”, perguntou Louise Cohen, acrescentando que a família a ajudava a levar as compras pelas escadas uma vez que já usa bengala.
Já uma aluna da Universidade de Boston, que vive perto do prédio do português, contou que ouviu os tiros cerca das 20:30 quando estava na residência.
“Nunca tinha ouvido nada tão alto, por isso pensei que fossem tiros. O que é que se está a passar no mundo?”, disse Liv Schachner, de 22 anos.
Os moradores descrevem um clima de consternação e medo, sublinhando que se trata de uma comunidade pacata onde crimes violentos são raros. Vários vizinhos recordam Nuno Loureiro como uma pessoa afável, muito próxima da comunidade.
“Primeiro pensei que fosse alguém no nosso apartamento a pontapear uma porta ou algo do género, por isso telefonei aos vizinhos e eles disseram que não, que pensavam que eram tiros”, descreveu um vizinho que não quis ser identificado à CBS News.
Anne Greenwald, outra vizinha de Nuno Loureiro e que vive no bairro há 40 anos, contou ao mesmo jornal que quer ela quer o marido ouviram barulhos que pareciam tiros e lamentou a morte do português.
“Ele tinha uma família jovem, que andava na escola aqui. É horrível, muito assustador”, lamentou.
A morte do professor português causou forte impacto no MIT. Em maio do ano passado, Nuno Loureiro tinha sido nomeado diretor do Centro de Ciência de Plasma e Fusão da instituição, descrito no site oficial como “um dos maiores laboratórios do MIT”, com mais de 250 investigadores, estudantes e funcionários a tempo inteiro distribuídos por sete edifícios.
De acordo com informação publicada pela própria instituição, o antigo aluno do Instituto Superior Técnico (IST) era reconhecido pelas suas investigações sobre o funcionamento do plasma, “particularmente a turbulência e a física que sustenta as erupções solares e outros fenómenos astronómicos”. Dedicava-se também ao estudo da forma de aproveitar a energia de fusão limpa como resposta às alterações climáticas.
Ligado à prestigiada universidade de Cambridge desde 2016, o português tinha expressado publicamente a admiração pelo MIT numa entrevista concedida em 2017. “Profissionalmente, estou completamente impressionado com o que é o MIT”, afirmou na altura. “Nós lemos sobre o MIT e conversamos com as pessoas sobre o MIT, mas antes de vivê-lo não se entende completamente o tipo de lugar que é.”
Num comunicado enviado à imprensa, um porta-voz do MIT manifestou pesar pela morte do docente. “Os nossos mais profundos sentimentos estão com a sua família, alunos, colegas e todos aqueles que estão de luto”, referiu, acrescentando que estão a ser promovidas ações e conversas internas para apoiar a comunidade académica afetada pela perda.
Segundo a CBS News, as circunstâncias da morte do professor português continuam por esclarecer, enquanto a investigação prossegue nos Estados Unidos.