O Presidente russo, Vladimir Putin, acusou a Europa de “histeria” por considerar que a Rússia se está a preparar para lançar uma guerra no continente. Se as negociações de paz em curso falharem, Moscovo irá tomar os territórios que ambiciona à força, garantiu.

Numa reunião com responsáveis do Ministério da Defesa russo esta quarta-feira, Putin voltou a desqualificar os receios europeus de que Moscovo esteja a preparar um ataque contra membros da NATO nos próximos anos. “No Ocidente, fala-se na preparação para uma grande guerra, e o nível de histeria está a aumentar”, afirmou o Presidente russo, que garantiu serem “mentira” as acusações feitas pelos europeus.

Os avisos para a ameaça representada pela Rússia têm sido reforçados ao longo dos últimos tempos, sobretudo depois do início da invasão da Ucrânia, em 2022. O mais recente aconteceu na semana passada, quando o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, avisou que a Europa será “o próximo alvo” de Moscovo e que um conflito de escala mundial poderá deflagrar durante os próximos cinco anos.


Recentemente, Putin tinha dito que a Rússia não procura uma guerra com a NATO, mas disse que o país está preparado para essa eventualidade.

Putin insistiu que o Kremlin está disponível para negociar a paz na Ucrânia, e disse procurar “cooperação mútua com os EUA e com os Estados europeus”.

Mas voltou a garantir que Moscovo não irá desviar-se dos seus objectivos de guerra, mantendo a opção de continuar a via militar caso a negociação em curso falhe. “Se o lado opositor e os seus patrocinadores estrangeiros se recusarem a participar em discussões significativas, a Rússia irá alcançar a libertação das suas terras históricas através de meios militares”, declarou Putin, referindo-se às quatro províncias do Leste ucraniano (Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjjia) anexadas no início da guerra. Apesar de as reivindicar, a Rússia apenas controla totalmente Lugansk, além da Crimeia, ocupada desde 2014.

“A tarefa de criação e expansão de uma zona tampão de segurança será também consistentemente executada”, acrescentou o Presidente russo.

Desde o início do ano que a Administração de Donald Trump tem tentado mediar uma solução diplomática que ponha fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Esta semana, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, esteve reunido com representantes norte-americanos e europeus em Berlim para elaborar uma nova proposta, que contempla sobretudo as garantias de segurança que Kiev considera fundamentais para vir a aceitar um acordo.

No entanto, Moscovo tem mostrado oposição a qualquer solução que implique o envio de tropas ocidentais para a Ucrânia, algo que está previsto ao abrigo da proposta divulgada esta semana.

Washington tem pressionado Kiev e Moscovo para chegarem rapidamente a um acordo, mas não é certo que isso possa acontecer.

Caso a Rússia volte a rejeitar uma proposta que ponha fim aos combates, os EUA pretendem avançar para a aplicação de mais sanções económicas, de acordo com a agência Bloomberg, que cita fontes próximas da Casa Branca.

Entre as opções a serem consideradas estão medidas contra a chamada “frota fantasma” russa, usada para transportar ilegalmente petróleo russo. Em Outubro, os EUA anunciaram sanções contra as duas maiores empresas petrolíferas russas, como forma de pressionar o Kremlin para aceitar negociar um acordo de paz e para deixar de atacar as infra-estruturas energéticas ucranianas.