Na conversa mantida por telefone, Maduro “sublinhou que estas declarações devem ser categoricamente rejeitadas pelas Nações Unidas, uma vez que constituem uma ameaça direta à soberania, ao direito internacional e à paz”, acrescentou o comunicado.

O ministério referiu ainda que Maduro alertou para “a escalada de ameaças contra a Venezuela e as suas graves implicações para a paz regional”.

No telefonema, António Guterres reafirmou, por seu lado, a posição da ONU de que os Estados-membros devem “exercer moderação, reduzir as tensões e preservar a estabilidade regional”, de acordo com um comunicado da organização, adicionando a necessidade do respeito do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.

O Governo venezuelano alega que Donald Trump “pretende impor, de forma absolutamente irracional, um alegado bloqueio naval militar” com o objetivo de “roubar as riquezas” do país sul-americano.

Maduro acusa ainda o homólogo da Casa Branca de violar “o direito internacional, o livre comércio e a liberdade de navegação”, o que classificou também como uma “ameaça grave e temerária”.

Trump anunciou que vai fazer uma declaração à nação na noite desta quarta-feira (madrugada de quinta-feira em Lisboa) sem especificar o tema, mas que poderá estar relacionada com a crise.

A sua porta-voz referiu apenas que vai abordar a ação da sua administração nos primeiros 11 meses do segundo mandato presidencial.

Na semana passada, o Comando Sul dos Estados Unidos, que atacou mais de três dezenas de embarcações e executou 95 tripulantes alegadamente ligados ao narcotráfico nas Caraíbas e no Pacífico Leste, apreendeu em águas internacionais o petroleiro Skipper, que transportava crude venezuelano.

Os Estados Unidos também reforçaram a presença militar no mar das Caraíbas desde agosto, sob o argumento da luta contra o narcotráfico, enviando para a região em outubro o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, com cerca de 5.000 militares a bordo e 75 aviões de combate, incluindo caças F-18, com uma escolta de cinco contratorpedeiros.

No final de outubro, o número de soldados norte-americanos no sul das Caraíbas e na base militar dos Estados Unidos em Porto Rico ascendia a 10.000, metade dos quais a bordo de oito navios.