A revista Nature Medicine elegeu os estudos clínicos mais promissores para 2026. Selecionei cinco deles:
1) Vacina de longa duração contra a tuberculose
Em 2023, ocorreram quase 11 milhões de casos e 1,25 milhão de óbitos por tuberculose no mundo.
A vacina atual protege as crianças, mas o efeito diminui a partir da adolescência e do início da vida adulta. Como essas são as faixas etárias com mais risco de adquirir e transmitir o bacilo, a procura de uma preparação mais eficaz a longo prazo tem sido intensa.
Um estudo fase 3, para testar uma vacina nova (M72/AS01), incluiu 20 mil participantes na África do Sul, Quênia, Maláui, Zâmbia e Indonésia, em comunidades com altos índices da doença. Os resultados devem estar disponíveis em três anos.
Essa parece ser a vacina da tuberculose mais promissora em quase um século.
2) Anticorpos de longa duração contra o HIV
Os antivirais de alta eficácia que entraram no comércio a partir de 1995 impedem a multiplicação do HIV, mas são ineficientes para eliminá-lo, razão pela qual o tratamento deve ser mantido pelo resto da vida.
Três universidades (Rockfeller, Imperial e Oxford) estão conduzindo o estudo RIO, para avaliar se um “coquetel” de anticorpos que permanece no organismo por seis meses pode manter a carga viral sob controle quando os antivirais são suspensos.
Resultados preliminares mostram que, depois de cinco meses de interrupção, 75% dos participantes mantém cargas virais indetectáveis. Alguns permanecem cerca de dois anos nessa condição. Em comparação, no grupo placebo apenas 11% atingem esse objetivo.
3) Tratamento da Covid longa
A maioria das pessoas com Covid-19 volta à normalidade uma ou duas semanas depois do desaparecimento dos sintomas. Há, no entanto, aqueles que desenvolvem a forma longa da doença, caracterizada por um cortejo de sintomas que vão da fadiga intensa às dificuldades cognitivas.
Em 2021, o National Institute for Health do Reino Unido investiu 6,8 milhões de libras esterlinas para testar novos tratamentos para essa condição.
O estudo se concentrou nas alterações presentes nos pequenos vasos sanguíneos dos pacientes. Estão sendo testados medicamentos para reduzir a inflamação e melhorar o fluxo de sangue, ao lado de anticoagulantes para impedir que se formem coágulos intravasculares, um dos problemas envolvidos na fisiopatologia da Covid. Os dados serão publicados em 2026.
4) O trial Nest
É um estudo clínico para explorar o papel das células-tronco, colhidas da medula óssea do próprio paciente, na melhora da função neurológica. As células-tronco são colhidas, isoladas e reintroduzidas através dos vasos sanguíneos que irrigam as cavidades nasais, fazendo com que penetrem no cérebro para reparar danos neurológicos.
A ideia surgiu depois de um trabalho publicado em 2010 no qual células-tronco foram introduzidas na retina de pacientes com deficiências visuais. Foi uma surpresa notar que vários deles apresentaram melhora na fala e na execução de movimentos.
Desde então, cerca de 200 pessoas receberam esse tratamento. Resultados preliminares mostram melhora significativas em condições como Alzheimer, esclerose lateram amiotrófica (ELA), Parkinson, esclerose múltipla e encefalopatia traumática, doenças em que os recursos terapêuticos são escassos e os benefícios são limitados. O procedimento é seguro, simples e dura menos de uma hora.
5) Novos tratamentos para o colesterol
O trial Lp(a)Horizon tem como alvo a lipoproteína Lp(a), um tipo de partícula de colesterol que carrega a apolipoproteína (a). Níveis elevados de Lp(a) estão geneticamente ligados a ataques cardíacos e AVCs.
Lp(a)Horizon é o primeiro a testar uma droga nova, pelacarsen, para reduzir os níveis de apolipoproteína (a) com o objetivo de reduzir o número de infartos e de derrames cerebrais. Já foram incluídos 7.000 participantes do mundo inteiro, avaliados por equipes internacionais. Os resultados serão publicados em 2026.
Além de analisar eventos como morte por doença coronariana, AVCs e necessidade de revascularização, o estudo também avalia as mortes por outras causas. O medicamento tipicamente reduz em 80% os níveis de LP(a).
É possível que surja um medicamento a mais para reduzir a principal causa de morte no mundo hoje.
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