Finalmente, uma das equipas mais ricas do mundo tornou-se na melhor equipa do mundo. Depois de uma época em que foi o melhor da Europa e falhada a oportunidade no Mundial de clubes, o PSG conquistou, nesta quarta-feira, a Taça Intercontinental, ao derrotar na final o Flamengo nos penáltis (2-1) após empate (1-1) em 120 minutos. Safonov, guardião russo, contratado para ser suplente, foi o grande herói, com quatro defesas no desempate.

Longe da Europa e longe da América do Sul, se havia uma equipa que se podia dizer que jogava em casa era o PSG – Doha, claro, não é Paris, mas era daqui que vieram os milhões que transformaram o PSG num colosso do futebol mundial. Campeão europeu contra o recente campeão sul-americano, mais um jogo para testar a valia das melhores equipas dos dois continentes em confronto directo.

O Mundial de clubes já tinha ajudado a responder a esta pergunta – o vencedor foi europeu (Chelsea), o finalista vencido também (PSG), mas os sul-americanos (leia-se, os brasileiros) bateram-se bastante bem. E no histórico da competição (contando as finais entre 1960 e 2004, quando era só Europa contra América), até são os clubes da América do Sul que têm vantagem (22 títulos contra 21).

O Flamengo vinha fresquinho da sua conquista na Libertadores – bateu o Palmeiras no final de Novembro – e da conquista do Brasileirão há duas semanas, enquanto o PSG não está propriamente no seu melhor momento – não é líder da Liga francesa, não ganhou o seu último jogo da Champions, não tinha na sua plenitude Ousmane Dembelé.

Ainda assim, foi a equipa de Luis Enrique quem teve as primeiras aproximações mais perigosas, como a que aconteceu logo aos 4’, protagonizada por dois dos portugueses em campo. Livre bombeado de Vitinha para a área e João Neves, bem posicionado e de primeira, atirou ao lado.

Aos 9’, o PSG festejou, mas o golo não contou. Rossi, o guarda-redes argentino do Flamengo, tentou evitar um pontapé de canto, mas, nesta acção, colocou a bola nos pés dos jogadores do PSG. Esta chegou a Fabian Ruiz, que atirou para a baliza. Golo? Não foi, porque a bola já tinha saído de campo quando Rossi fez aquele disparate. Tudo se manteve a zeros e assim ficou por mais meia-hora, a reflectir o equilíbrio (nivelado por baixo) desta final.

Tudo mudou aos 38’, num contra-ataque rápido do PSG conduzido por Doué na direita. O extremo francês apontou para o segundo poste, Rossi desviou, mas quem ficou com a bola foi Kvaratskhelia, que só teve de empurrar para a baliza. Desta vez, não houve VAR a salvar o Flamengo dos disparates do seu guarda-redes.

Mas foi um golo que não teve sequência no jogo por parte dos parisienses, sem capacidade para romper o equilíbrio criado pela experiente equipa carioca, que tinha muita gente conhecida do futebol português – o ex-FC Porto Alex Sandro, o ex-Sporting Gonzalo Plata, mais Danilo, Cebolinha e Samuel Lino no banco.

Foi de um erro do homem mais experiente do PSG que nasceu o golo do empate. Aos 57’, Marquinhos fez falta na área sobre De Arrascaeta, o árbitro nada viu, mas, alguns segundos depois, interrompeu a acção para assinalar a falta. Foi Jorginho a avançar para a marca dos 11 metros – enganou Safonov e fez o empate aos 62’.

O jogo não saiu do equilíbrio, com o PSG a ser um pouco mais afoito na procura do golo, mas tudo ficou na mesma e a final avançou para mais 30 minutos. A formação parisiense continuou por cima, os “cariocas” aguentaram-se e a decisão seguiu para os penáltis. Trocaram acertos na primeira ronda e falhanços na segunda – Safonov defendeu o pontapé de Ñiguez, Dembelé mandou a bola para o Golfo Pérsico. Pedro falhou para o Flamengo (mais uma defesa de Safanov) e Nuno Mendes colocou o PSG no comando do desempate. Leo Pereira atirou para o meio, o guardião russo nem se mexeu e defendeu o terceiro. Barcola desperdiçou o primeiro match-point – grande defesa de Rossi – mas Safonov voltou a fechar a sua baliza.