Um colono israelita matou um adolescente palestiniano de 16 anos na cidade de Tuqu, em Belém, na Cisjordânia ocupada, na terça-feira, após o funeral de outro jovem.
“Hoje [16 de Dezembro], depois do funeral de Ammar Sabah, de 16 anos, que foi morto [na segunda-feira] pelo Exército israelita no centro de Tuqu, um grupo de jovens estava reunido junto à estrada principal quando um colono alvejou Muheeb Jibril, também com 16 anos, atingindo-o na cabeça”, relatou o autarca de Tuqu, Mohammed al-Badan, em declarações à Reuters.
A 15 de Dezembro, soldados israelitas mataram Ammar Sabah, alvejado no peito, durante um raide na cidade de Tuqu. As Forças de Defesa de Israel (IDF) alegam que o jovem estava envolvido numa “rebelião contra os soldados, que incluiu o arremesso de pedras”. Em reacção, o exército “recorreu a meios de dispersão de motins e, em seguida, abriu fogo sobre um dos principais instigadores”.
Menos de 24 horas depois, um outro rapaz de 16 anos foi morto na mesma cidade, desta vez por um colono. De acordo com os meios de comunicação social palestinianos, o atirador saiu do seu carro, armado, e abriu fogo sobre um grupo de jovens que tinha acabado de participar nas cerimónias fúnebres de Ammar Sabah. Muheeb Jibril foi atingido na cabeça e outro adolescente ficou ferido com gravidade.
Um curto vídeo divulgado nas redes sociais mostra cinco pessoas a correr na direcção oposta à estrada principal mencionada por Mohammed al-Badan. Uma delas, identificada como Muheeb Jibril, cai e não volta a levantar-se. As imagens foram publicadas sem som, pelo que não é possível perceber quantos são os disparos ou em que momento foram feitos.
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— ?????? ??? ????? (@F24online) December 16, 2025
O corpo de Muheeb foi depois transportado pela população de Tuqu numa maca, envolto num keffiyeh, enquanto se entoava “Allahu Akbar” (em português, “Alá é maior”).
Já segundo fonte das forças de segurança de Israel, citada pela Reuters sob anonimato, um colono israelita (não identificado) disparou contra um grupo que arremessava pedras e outros objectos contra os veículos que passavam na estrada de acesso a Tuqu.
Contactada pela Reuters, a polícia israelita não respondeu a um pedido de esclarecimento sobre o caso. As Forças de Defesa de Israel também não responderam às perguntas do diário The Times of Israel.
Só no último mês foram assassinados pelas forças israelitas outros 11 jovens com menos de 20 anos na Cisjordânia ocupada.
Quanto aos ataques de colonos — também armados pelo Governo de Benjamin Netanyahu —, atingiram um número recorde em Outubro passado: mais de 260 ataques que resultaram em pessoas palestinianas feridas ou em danos à sua propriedade.
Apesar de os últimos meses do ano significarem muitas vezes um pico no número de ataques de colonos, pelo aumento da violência contra palestinianos que tentam alcançar as suas terras na época de colheita da azeitona, as Nações Unidas nunca tinham registado tantos ataques num mês desde que começaram a monitorizá-los, em 2006.
No total, desde o início de 2025, a ONU documentou mais de 1700 ataques de colonos na Cisjordânia ocupada, confirmando que pelo menos 770 palestinianos foram feridos por habitantes de colonatos e outposts israelitas — um número que, ainda antes do final do ano, já ultrapassa a soma dos feridos registados em 2023 (373) e em 2024 (362).