Nuno Catarino, vice-presidente e CFO do Benfica, deu nesta terça-feira mais detalhes acerca do plano de expansão do Estádio da Luz e da construção do Benfica District, obras a concretizar até 2029.
Numa sessão de esclarecimento realizada em Faro, no Campus da Penha da Universidade do Algarve, o dirigente do clube encarnado explicou por onde passará a ampliação da Luz para os 80 mil lugares, sendo que parte desse projeto já está em marcha e permitiu o aumento da lotação dos 65 mil espectadores para os 68 mil atuais.
«É uma informação que nunca veiculámos desta forma», começou por dizer. «Uma parte passa pela remodelação do piso 1, que implica aumentar o conjunto de filas desse piso. Permite fazer novas filas e tem várias implicações de intervenção para trás, mas que é possível fazer. Há um segundo passo que passa por rebaixar o relvado. É possível fazer porque é terra é dá para rebaixar e fazer um conjunto de filas para o estádio ficar mais à inglesa, com as pessoas ainda mais perto do campo. Isso dá para aumentar mais uns milhares de lugares», revelou.
Nuno Catarino explicou que o passo seguinte depende da legislação portuguesa, que ainda não autoriza o chamado «safe standing» (lugares em pé). «Há um terceiro passo, que temos vindo a trabalhar do ponto de vista jurídico e de segurança, que é criar algumas área da chamada safe standing: em alguns setores do piso 0 as pessoas poderem estar de pé, como fazem os clubes alemães, que são quem tem isto mais desenvolvido. É possível fazer e já temos alguns pedidos para começar a fazer testes para esta área. Infelizmente, a legislação em Portugal não é fácil. O legislador, típico português, em vez de copiar coisas que funcionam, pôs-se a copiar coisas de vários sítios e aquilo ficou uma manta de retalhos. Mas estamos plenamente convencidos de que em alguns setores e possível fazê-lo em condições de segurança e que vai funcionar e melhorar o ambiente de estádio.»
O último passo do plano de expansão, que permitirá que a Luz tenha capacidade para 80 mil espectadores antes do Mundial 2030, que vai realizar-se em Espanha, Portugal e Marrocos, vai estar permitir que o recinto cresça para cima. «Quando se fizer o reforço para a cobertura do estádio, vai ter de se fazer o reforço da estrutura por fora e isso permite aumentar um conjunto de filas na parte de trás do estádio. Naquela zona em que se vê para fora e que estão por preencher na parte superior.»

O CFO do Benfica esclareceu que as obras no estádio não vão parar a operação do recinto. Ou seja: os encarnados continuarão a jogar em casa, até porque a empreitada será realizada entre os meses de maio e agosto, tal como aconteceu recentemente no último aumento de lotação.
A ampliação do Estádio da Luz terá um custo estimado de 75 milhões de euros, sendo que parte desse valor já foi alocado em duas fases de expansão já realizadas. «Dá mais ou menos um custo de 7 mil euros por cada lugar, que está bastante enquadrado com o que tem sido o custo internacional aceite para este tipo de intervenções.»
Paralelamente à ampliação, criação da nova cobertura e à remodelação da fachada da Luz vai nascer o Benfica District, orçado em 220 milhões de euros. As primeiras demolições de estruturas atuais estão previstas para 2027 e as obras serão iniciadas em 2028. Até à abertura gradual de novos espaços, que acontecerá antes da inauguração oficiais do espaço (previsto para o final de 2029), as modalidades do clube terão de treinar e jogar em casa emprestadas. Nesse sentido, serão estabelecidos protocolos com pavilhões de Lisoa e periferia. Os serviços do clube (loja, atendimento aos sócios e outros serviços) serão prestados em estruturas temporárias.
Custo do Benfica District e alocação do valor (em percentagem) a cada um dos espaços novos. Fachada do estádio e espaços comuns e arena (com capacidade para 10 mil lugares) vão absorver mais de metade dos custos.
O projeto do Benfica District ainda terá de ser aprovado pelos sócios em Assembleia-Geral Extraordinária marcada para 3 de janeiro de 2026.
