
Chuvas recorde no Parque Nacional do Vale da Morte, nos EUA
O Vale da Morte – no Deserto de Mojave, que se estende pela Califórnia e pelo Nevada, nos EUA – é famoso pelo seu clima extremo. No entanto, nas últimas semanas, bateu recordes de precipitação em vez de temperaturas elevadas.
O Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos (NPS) comunicou níveis de precipitação sem precedentes no Parque Nacional do Vale da Morte.
O dilúvio foi tão intenso e persistente que um lago da Idade do Gelo voltou a formar-se.
Localizado na Bacia de Badwater — o ponto mais baixo da América do Norte, como lembra a Science Alert — o Lago Manly poderá ter tido, em determinado momento, mais de 300 metros de profundidade. No entanto, não é visto de forma permanente há mais de 10.000 anos.
O Lago Manly teve o seu auge há 128.000–186.000 anos, altura em que se estenderia por quase 161 quilómetros de terreno, alimentado por gelo e rios provenientes da Sierra Nevada.
O lago teve uma breve e pouco profunda aparição depois de o furacão Hilary ter atravessado a região em 2023. Agora, graças às chuvas recorde, parece ter mesmo ressuscitado – embora a uma escala menor do que aquela que se via há milhares de anos.
De acordo com os registos, foi o Outono mais chuvoso de sempre no Vale da Morte.
O NPS não entrou em pormenores sobre as razões pelas quais este sistema meteorológico invulgar ocorreu, mas sabe-se que as pressões das alterações climáticas estão a provocar recordes em todo o mundo.
Espera-se que os fenómenos meteorológicos extremos se tornem mais frequentes, mais duradouros e ainda mais severos à medida que o planeta aquece.
Como refere a Science Alert, o acontecimento é um lembrete de que as paisagens que vemos à nossa volta foram formadas ao longo de milhares de milhões de anos e mudaram significativamente ao longo desse tempo. Mesmo um local tão seco e desolado como o Vale da Morte evoluiu de forma marcante ao longo dos milénios.
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