Pela primeira vez, tenho o privilégio de participar no Programa Gulbenkian Novos Talentos na qualidade de tutora, acompanhando um estudante de micro e nanotecnologias da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Esta experiência, ainda no seu início, já revelou a profundidade e impacto de um programa verdadeiramente singular no panorama nacional. Não se trata apenas de uma bolsa: trata-se de um ecossistema completo de descoberta, estímulo intelectual e crescimento interdisciplinar, pensado para apoiar jovens excecionais numa fase decisiva do seu percurso académico e pessoal.
A Fundação Calouste Gulbenkian está de parabéns pelos 25 anos desta iniciativa visionária, que tem como missão identificar precocemente talento e potenciá-lo através de acompanhamento científico qualificado, experiências formativas e um ambiente de comunidade intelectual ativa.
O programa evoluiu muito desde a sua origem e, hoje, abrange seis grandes áreas, Física, Matemática, Química, Biologia, Humanidades e Ciências Sociais, refletindo uma visão abrangente da excelência.
Este ano, foram selecionados 90 bolseiros. Tive oportunidade de assistir às primeiras apresentações e fiquei verdadeiramente impressionada: jovens ainda no início do ensino superior, mas com uma clareza de pensamento, uma curiosidade intelectual e uma capacidade de expressão raras. A riqueza do programa está precisamente nesta dimensão coletiva: nos retiros científicos, nos workshops, nas sessões de networking e nos webinars, onde estudantes e tutores de diferentes áreas se encontram, discutem, questionam e criam pontes inesperadas entre saberes.
As palavras dos próprios bolseiros, citadas no documento do programa, confirmam esta experiência transformadora: um ambiente de partilha, interdisciplinaridade, debate vivo e liberdade para errar, experimentar e crescer. E esta é talvez a maior força do programa — recordar-nos que a ciência não avança sem risco, sem tentativa e erro, sem ousadia criativa.
Para mim, enquanto tutora, é profundamente inspirador acompanhar o percurso de um jovem que está a iniciar a sua primeira experiência formal de investigação. O programa dá-lhes autonomia, mas também estrutura; incentiva-os a desenvolver um artigo científico até outubro de 2026; expõe-nos a retiros altamente desafiantes; e oferece apoio para atividades de enriquecimento de talento, desde escolas de verão a estágios internacionais.
Gosto de imaginar este programa como um processo de lapidação. A Gulbenkian identifica diamantes em bruto e cria as condições perfeitas para que possam ser polidos, não por imposição, mas por descoberta. Estes jovens têm tudo para ter um futuro brilhante, seja na investigação, na academia, na indústria, nas artes ou onde quer que escolham aplicar o seu enorme potencial. São jovens que, pela qualidade que demonstram, terão liberdade para escolher entre muitas portas abertas.
Num país que tantas vezes discute o futuro, mas nem sempre investe de forma consistente na sua construção, o Programa Novos Talentos é uma afirmação luminosa: o talento existe, é diverso, é poderoso, e merece ser cuidado. É um privilégio fazer parte desta comunidade.
A autora escreve segundo o novo acordo ortográfico