Três troféus depois, chegou a hora da decisão. Ao longo das últimas semanas, seis equipas lutaram pela conquista da Taça Intercontinental e um estatuto que podia ou não ser associado ao de campeão do mundo, por conta das mudanças implementadas pela FIFA e do novo formato do Campeonato do Mundo de Clubes. Certo é que, neste final de ano, o Pyramids venceu a Taça Africana-Asiática-Pacífico, ao passo que o Flamengo conquistou o Dérbi das Américas, frente ao Cruz Azul. No último fim de semana, as duas equipas enfrentaram-se na Taça Challenger, que acabou por cair para o lado brasileiro (2-0). Desta forma, estava reservado um duelo entre o campeão da Europa e o vencedor da Taça Libertadores na decisão da Taça Intercontinental, que aconteceu no Estádio Ahmed bin Ali, em Al Rayyan, no Qatar.
“Estou muito feliz por voltar aqui. Tenho boas recordações do último Campeonato do Mundo disputado aqui com a seleção espanhola. O que demonstrámos nos últimos quatro meses foi a nossa capacidade de superar diferentes situações. Será uma final renhida. O Flamengo é uma equipa muito boa, por isso será um jogo difícil. Acho que esta final é uma grande oportunidade. Estamos cientes da importância deste jogo e da sorte que temos de disputar uma final da Taça Intercontinental. É importante, como equipa e como clube, ter a oportunidade de jogar este jogo. O Flamengo está numa fase muito boa. Conquistou muitos troféus. Gosto da forma como esta equipa joga. Lembro-me do seu desempenho no Campeonato do Mundo de Clubes neste verão, onde fez jogos muito interessantes. É uma equipa eficaz com e sem a bola”, partilhou Luis Enrique na antevisão, antes de ter conquistado o prémio de melhor treinador do mundo na gala do The Best.
“Temos uma forma de defender. Não defendemos o jogador, defendemos a equipa, a bola e esperamos tirar o máximo de tempo possível de jogadores determinantes, em especial no meio. Não tenho dúvidas de que teremos armas para neutralizar o ataque do PSG. Existe uma mística que nos faz acreditar que há algo a mais, mas o futebol é feito de jogadores que passam pelos lugares e fazem história. São jogadores com uma ambição gigantesca que colocam o Flamengo no caminho dos títulos. O PSG fez história ganhando a Champions, tem os melhores jogadores do mundo. Tanto o Flamengo quanto o PSG querem fazer história. Nós acreditamos que é possível e vamos fazer de tudo para conseguir”, assumiu Filipe Luís.
PSG VS. FLAMENGO, SE VEN LAS CARAS HOY EN LA FINAL DE LA COPA INTERCONTINENTAL ???? pic.twitter.com/2IgedT4DZj
— TNT Sports Argentina (@TNTSportsAR) December 17, 2025
O primeiro duelo oficial entre parisienses e cariocas teve o condão de colocar frente a frente dois dirigentes portugueses — Luís Campos e José Boto. No que respeita aos onzes, Luis Enrique começou com Nuno Mendes, Vitinha e João Neves de início e optou por juntar Désiré Doué, Khvicha Kvaratskhelia e Lee Kang-in no ataque, com Warren Zaïre-Emery a jogar no lado direito da defesa, dada a ausência de Achraf Hakimi. A baliza ficou para Matvey Safonov. Gonçalo Ramos começou no banco, à semelhança do melhor do mundo Ousmane Dembélé. Já Filipe Luís manteve o onze base, com Léo Ortiz e Bruno Henrique a apresentarem-se como as únicas novidades, rendendo Danilo e Everton Cebolinha.
O jogo começou bastante encaixado entre as duas equipas, embora as primeiras oportunidades tenham pertencido ao PSG, com Neves a atirar ao lado na resposta a um livre de Vitinha (5′). Depois, um atraso defeituoso de Giorgian de Arrascaeta obrigou Agustín Rossi a desferir um alívio penoso, que acabou por originar o golo de Fabián Ruiz (9′). Ainda assim, o lance acabou invalidado porque a bola já tinha saído aquando do corte do guarda-redes argentino. Na resposta, Gonzalo Plata obrigou Safonov a uma defesa apertada e, na recarga, Erick Pulgar atirou fraco, de fora da área, para as mãos do guarda-redes (17′). Até ao intervalo, Lee lesionou-se na coxa e teve de ser substituído por Senny Mayulu e, logo a seguir, o rouge et bleu encontraram espaço na direita, Doué cruzou rasteiro, Rossi deixou a bola escapar e, com a baliza aberta, Kvaratskhelia só teve de encostar para o golo inaugural (38′). A resposta surgiu de canto, com Pulgar a cabecear sozinho ao lado (42′).
Na etapa complementar, os franceses voltaram a entrar com mais perigo, com João Neves a rematar forte, à figura, depois de ter ganhado espaço na meia-direita (51′). Já com Pedro de regresso à frente de ataque, um mau alívio de Vitinha permitiu ao Flamengo conquistar um penálti, depois de Marquinhos ter derrubado Arrascaeta. Na cobrança, Jorginho enganou Safonov com uma paradinhae empatou a partida (62′). Luis Enrique respondeu de imediato com a entrada de Bradley Barcola para o lugar de… Mayulu, que jogou pouco mais de meia-hora. Com o empate, o PSG voltou à carga e encostou o mengão à sua baliza, mas pouco perigo conseguiu criar, à exceção de um remate de Neves cortado por Léo Ortiz (73′). Já com Saúl Ñíguez, Nico de la Cruz e Everton em campo, Doué atirou para defesa de Rossi (77′).
Na reta final do tempo regulamentar, Ousmane Dembélé saltou do banco para o lugar do compatriota e quase marcou, depois de Nuno Mendes ter obrigado Rossi a aplicar-se, mas Ortiz voltou a cortar (81′). A partir daí, o Flamengo colecionou três oportunidades de golo, com Pedro a rematar para canto e Vitinha a evitar o golo na bola parada. Depois, foi a vez de Plata atirar ao lado em boa posição (86′). Ainda houve tempo para Luiz Araújo render Bruno Henrique e, na última oportunidade, Dembélé cruzou forte para o coração da pequena área, mas Marquinhos falhou o remate e cortou a bola (90+5′).
Com o empate a persistir, o jogo seguiu para o prolongamento, que arrancou com a entrada de Ibrahim Mbaye, mas continuou equilibrado, apesar da melhor entrada carioca. Quentin Ndjantou e Samuel Lino também foram lançados pelos treinadores nos minutos finais, que foram pautados pelo domínio do PSG, que tentou de tudo para marcar, mas não conseguiu evitar mais uma decisão internacional nos penáltis, tal como tinha acontecido na Supertaça Europeia. Na decisão, De la Cruz e Vitinha começaram por marcar na primeira série, antes de Safonov travar o remate de Saúl e de Dembélé rematar por cima. Na terceira série, o russo voltou a brilhar frente a Pedro e Nuno Mendes colocou o PSG em vantagem. Logo a seguir, Safonov defendeu mais um remate, agora de Léo Pereira e, no primeiro match point, Barcola atirou a meia-altura para uma grande intervenção de Rossi. No último penálti, Luiz Araújo assumiu a cobrança e… Safonov defendeu o quarto penálti seguido e deu ao PSG a Intercontinental (1-1, 2-1 g.p.).
Desta forma, os parisienses tornaram-se na primeira equipa francesa a conquistar o troféu e fecham o ano com seis títulos, tendo caído apenas na final do Mundial de Clubes. Assim, o PSG é, a partir desta quarta-feira, a segunda equipa com mais troféus conquistados numa temporada, a par do Barcelona de 2009, com Pep Guardiola.