“Nouvelle Vague”
A génese é a mirabolante rodagem de O Acossado, de Jean-Luc Godard, filme-azimute fulcral da Nova Vaga francesa, como se lá estivéssemos. A preto e branco, com atores que são a cara chapada dos seus modelos, mas não os macaqueiam ao interpretá-los (destaque para o Godard de Guillaume Marbec, tão imprevisível e insuportável como o verdadeiro) e recriando microscópica e fielmente a Paris de finais dos anos 50 (com a ajuda de imagens da época integradas nas do filme com todo o cuidado), Richard Linklater conta, pelo lado de dentro, a complicada e eufórica aventura daquelas filmagens em roda livre, espontaneidade e improvisação; tira o chapéu e faz uma vénia à geração de críticos dos Cahiers du Cinéma que depois passou à realização (aparecem todos, nem que seja por um breve momento, tal como o seu mentor, Roberto Rossellini, sem esquecer os que gravitavam em seu redor e fizeram parte da equipa de rodagem da fita) e deu uma valente sacudidela no cinema francês e na Sétima Arte; e capta o ambiente, a vibração, a paixão, a cor emocional e o ímpeto criativo de uma época única (as zangas, as invejas, os equívocos e a morte, que viriam mais tarde, não cabem aqui). O risco, o prazer e a alegria de filmar desses tempos estão inteirinhos do princípio ao fim de Nouvelle Vague. Linklater sublinha que o cinema é (também) a arte da juventude, e embora o tempo não perdoe, essa juventude ficou plasmada para a eternidade nas imagens de O Acossado, tal como ficará nesta minuciosa, afetuosa e jubilatória recriação de como este clássico foi feito. E quem melhor para o concretizar do que um estrangeiro — um americano, no caso —, que à necessária distância, junta o talento e a cinefilia? Em Nouvelle Vague, Richard Linklater funde a nostalgia e a homenagem, o respeito e a fraternidade, o elogio e a gratidão a uma era, um grupo e um movimento que deram um novo fôlego ao cinema.
Há vários milhões de afegãos refugiados no Irão, um êxodo que começou há algumas décadas, quando da invasão do Afeganistão pela antiga URSS. Nesta sua primeira longa-metragem, os realizadores iranianos Alireza Ghasemi e Raha Amirfazli, contam, ao longo de vinte anos e em três episódios, e com um recato emocional e uma economia narrativa que não comprometem a robustez dramática, os percursos dos membros de uma família afegã que se acolheu, no início deste século, ao Irão, a “terra dos nossos irmãos” do título (que se vai revelar irónico à medida que a fita decorre). Através das histórias de um jovem estudante com o qual a polícia embirra, de uma rapariga instalada com o marido doente e o filho pequeno na casa de uma família abastada para a qual trabalha como criada, e de um pai cujo filho disse que foi trabalhar para a Turquia, tendo na realidade ido combater para a Síria com uniforme iraniano, o casal de realizadores mostra que a condição dos afegãos que rumaram ao Irão é tudo menos fácil, sobretudo se lá estiverem ilegalmente. Não é por acaso que duas das três narrativas envolvem mentiras e ocultação, para a segurança e para o bem de familiares próximos dos protagonistas, e para evitar a perda do estatuto de refugiado e a consequente expulsão do país.
Nesta parte três da saga de ficção científica Avatar, de James Cameron, composta por cinco filmes, iniciada em 2009 e passada no futuro, no paradisíaco planeta Pandora, a família Na’vi de Jake Sully (Sam Worthington) e Neytiri (Zoe Saldaña) está a recuperar dos acontecimentos da fita anterior, Avatar: o Caminho da Água (2022), especialmente da morte do filho mais velho, tendo acolhido no seu seio Spider (Jack Champion), o filho do seu grande inimigo, o coronel Miles Quaritch (Stephen Lang), que apesar de ter morrido em combate naquele filme, ressurgiu como um avatar Na’avi e continua a perseguir obsessivamente Jake e os seus. Sendo humano, Spider não consegue respirar na atmosfera do planeta Pandora, o que dificulta muito a sua vida na nova família. O pai não desistiu de o resgatar, e entra então em cena uma tribo Na’vi rebelde e violenta, os Mangkwan, que vive junto a um vulcão e é liderada pela cruel e ambiciosa feiticeira Varang (Oona Chaplin), que se vai aliar a Quaritch. Avatar: Fogo e Cinzas foi escolhido como filme da semana pelo Observador.