Chegado a Faro, para o jogo dos oitavos-de-final da Taça de Portugal, o Benfica decidiu que teria de virar à esquerda, com permanente exploração do corredor canhoto. Depois de virar à esquerda decidiu seguir em frente – em frente rumo aos quartos-de-final da prova, com um triunfo por 2-0 frente ao Farense.
Esta apetência do Benfica pelo corredor esquerdo, com impacto claro de Dahl, Schjelderup e Sudakov acabou, em certa medida, por ser promovido também pelo próprio Farense. Já lá vamos.
As opções
José Mourinho decidiu que o Benfica deveria levar a este jogo mudanças em todos os sectores: uma na baliza, uma na defesa, uma no meio-campo defensivo, uma no meio-campo ofensivo e uma no ataque.
As saídas de Barreiro e Aursnes por Schjelderup e Prestianni significavam uma equipa mais preparada para o momento de criação e menos para a pressão e o trabalho sem bola – o que tinha algum nexo pelo perfil esperado para este jogo.
Silas desenhou um plano híbrido com defesa a cinco quando Dahl avançava e defesa a quatro quando o lateral não obrigava Jaiminho a recuar. Isto criou problemas a Delgado, central do lado direito que andou permanentemente à procura da melhor posição – ora mais fechado, se tivesse apoio, ora mais aberto, quando não tinha. O mapa de posicionamento médio mostrava mesmo um espaço muito grande entre Delgado e o central do meio, algo pouco recomendável neste esquema.
O Benfica explorou-o várias vezes, sobretudo com Dahl a não avançar tanto no terreno – quanto menos avançava, mais à frente ficava Jaiminho e, por isso, maior a superioridade numérica de Schjelderup e Sudakov contra Delgado.
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Silas pareceu trocar Jaiminho por Menino durante a primeira parte, possivelmente confiando mais na cultura táctica do médio, mas isso não fez grande diferença: Schjelderup conseguia sempre colocar-se em jogo, ora na esquerda, ora pela zona central.
Nada disto significava, ainda assim, uma avalanche ofensiva do Benfica. A equipa conseguia vias de saída na meia-esquerda, mas nem sempre com finalizações bem promovidas.
O espaço apareceu
O Benfica chegou ao golo aos 10’, num lance de bola parada. Livre lateral batido para o segundo poste e o Farense escolheu ter dois defensores para três atacantes – Delgado ficava na marcação zonal. Isto permitiu a Otamendi e Araújo arrastarem os dois defensores e Ríos, que inicialmente até parecia estar “escalado” para ser o bloqueador, acabou livre para ser o finalizador – bom remate de primeira.
Uma das movimentações de Sudakov e Schjelderup na meia-esquerda deu penálti aos 27’, mas o guarda-redes defendeu o pontapé de Otamendi, e deu perigo aos 42’, em mais um lance de problemas para Delgado.
Aos 55′, no 2-0, tudo aconteceu novamente – e sem surpresa – pelo espaço no lado direito da defesa do Farense. Delgado foi arrastado por Schjelderup para a zona central e a falta de apoio permitiu a Dahl ter espaço para rematar cruzado – a defesa incompleta deu a recarga de sucesso a Ivanovic.
Não houve, portanto, grande diferença por Silas ter colocado um terceiro jogador a fechar o lado esquerdo: Ndiaye não estava a fazer melhor do que Menino ou Jaiminho numa função que também veio a ser de Rafinha.
Quanto mais o Farense subia a pressão em busca de qualquer coisa mais espaço havia – e espaço é sinónimo de Ivanovic, que começou a aparecer mais na partida com boas arrancadas.
Na última meia hora de futebol o Benfica controlou a partida com bola, sabendo da importância de gerir fisicamente os níveis de fadiga, mas ainda passou por sobressalto aos 90+5′ com um golo anulado ao Farense.
Nota final para o árbitro Hélder Malheiro, que foi o primeiro a usar uma bodycam num jogo a envolver os três grandes e “ofereceu” aos telespectadores alguns planos diferentes dos habituais.
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