A vida do português Nuno Matos à frente do quarto maior banco australiano, o ANZ, continua complicada. A instituição anunciou hoje que o CEO abdicou do seu bónus de curto prazo, no valor de 1,1 milhões de euros, depois de 32,3% dos acionistas terem votado contra o relatório sobre as remunerações dos executivos.

De acordo com as votações por procuração divulgadas esta quinta-feira, 32,36% dos acionistas votaram contra o relatório, um valor bem acima do limite de 25% necessário para bloquear a resolução.

O presidente do conselho de administração do ANZ, Paul O’Sullivan, afirmou na assembleia geral de acionistas que o CEO, Nuno Matos, propôs não receber a sua remuneração variável de curto prazo este ano, “embora os problemas que contribuíram para esta decisão sejam anteriores à sua chegada”.

O ANZ recebeu assim uma segunda “reprovação” relativamente ao seu relatório de remunerações, depois de uma primeira no ano passado. Esta situação pode agora desencadear a convocação de uma votação dos acionistas sobre a eventual destituição de todo o conselho de administração.

“Vale a pena salientar que, embora uma minoria significativa de acionistas tenha votado contra o relatório de remunerações, incluindo muitos que nos disseram que não fomos suficientemente longe, estamos atualmente a enfrentar um processo judicial sobre este assunto”, acrescentou O’Sullivan.

No início deste mês, as influentes empresas de consultoria CGI Glass Lewis e Institutional Shareholder Services instaram os investidores a votarem contra o relatório de remunerações dos executivos da instituição financeira, defendendo que os cortes salariais deveriam ter sido mais severos, tendo em conta a série de escândalos recentes.

Jessica Amir, estratega de mercado da plataforma de negociação Moomoo, afirmou que poderão existir novas consequências para o conselho de administração do ANZ, tendo em conta o seu historial de falhas de conformidade.