“O dorminhoco Joe Biden foi, de longe, o pior Presidente na História Americana” e chegou ao poder “em resultado da mais corrupta Eleição alguma vez vista nos Estados Unidos”. “Barack Hussein Obama” é “uma das figuras políticas mais polarizadoras” de sempre. Bill Clinton é recordado pela derrota da sua mulher, Hillary, nas presidenciais de 2026. Não são comentários lidos nas redes sociais, mas sim legendas inscritas desde esta semana em placas metálicas na galeria presidencial da Casa Branca, um espaço habitualmente solene onde se exibem os retratos dos Presidentes norte-americanos.

O tom e o estilo das inscrições, de pontuação duvidosa e uso anárquico de letra maiúscula, denunciam o autor. “As placas são descrições eloquentemente escritas de cada Presidente e do legado que deixaram. Sendo um estudante de história, muitas foram escritas directamente pelo próprio Presidente”, declarou à CNN, à NBC e a outros meios a assessora de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.

O Presidente-autor, evidentemente, é Donald Trump. Denuncia-o também o auto-elogio. “Ele iniciou a construção do escudo defensivo de mísseis Cúpula Dourada, renomeou o Golfo do México como Golfo da América e construiu, aqui mesmo na Casa Branca, o magnífico Salão de Baile Presidencial Trump após 225 anos de espera — mas O MELHOR AINDA ESTÁ PARA VIR”, lê-se na placa que legenda o retrato oficial de Trump no segundo mandato.

Inclui-se um exercício de futurologia: o referido salão de baile não existe. Em seu lugar, onde há poucos meses existia a Ala Este da Casa Branca, entretanto demolida, há apenas um buraco, e a empreitada vai já no seu segundo arquitecto. O primeiro, James McCrery II, foi despedido no final de Outubro. Do projecto, orçado em 300 milhões de dólares, conhecem-se apenas esboços e desenhos em tons dourados, os mesmos que dominam agora a Sala Oval e outros espaços da sede da presidência.




O retrato oficial de Joe Biden na Casa Branca foi substituído por uma fotografia de uma caneta mecânica, ou autopen
reuters

Voltemos à galeria presidencial. O retrato de Biden, onde o rosto do democrata foi substituído por uma fotografia da caneta mecânica, ou autopen, frequentemente utilizada pelos chefes de Estado norte-americanos para agilizar a assinatura de documentos (Trump alega que praticamente todos os decretos do seu antecessor foram assinados através deste expediente, por iniciativa de terceiros, e que serão por isso inválidos; Biden nega as acusações), tem agora uma legenda que é uma espécie de lista de horrores. Biden é acusado de ter sido eleito fraudulentamente e de ter “guiado a Nação até à beira da destruição”, é responsabilizado pelas guerras da Ucrânia e de Gaza, e é descrito como um Presidente em “grave declínio mental” e “nas mãos dos seus controleiros da Esquerda Radical”.

“Mas apesar de tudo, o Presidente Trump seria Re-Eleito de forma Esmagadora, e SALVOU A AMÉRICA!, lê-se no remate da legenda do retrato de Biden.