Que taxas de juro são decididas pelo BCE?

O Banco Central Europeu (BCE) tem três taxas de juro de referência: a taxa das operações principais de refinanciamento, a taxa da facilidade permanente de cedência de liquidez e a taxa da facilidade permanente de depósito. É com estas taxas que a autoridade monetária europeia regula as condições de financiamento na economia da zona euro, já que estas servem de referência para as taxas de juro praticadas pelos bancos junto de empresas e famílias.

O que representa cada uma dessas taxas?

A taxa das operações principais de refinanciamento é a taxa a que os bancos se podem financiar junto do BCE nas operações regulares de curto prazo. A taxa da facilidade de cedência de liquidez é a taxa cobrada aos bancos que pedem dinheiro ao BCE de um dia para o outro. E a taxa da facilidade de depósito é a taxa paga pelo BCE aos bancos que colocam excesso de liquidez junto do banco central. É esta última que é actualmente a taxa mais relevante para a orientação da política monetária e que serve de referência para as condições de financiamento da economia.

Qual é o nível actual das taxas de juro do BCE?

Actualmente (17 de Dezembro de 2025), a taxa da facilidade de depósito, a mais relevante de todas, situa-se em 2%, a taxa das operações principais de refinanciamento em 2,15% e a taxa da facilidade de cedência de liquidez em 2,4%. Geralmente, quando o BCE mexe numa das taxas, mexe igualmente nas outras, mantendo-se estável a distância entre elas.

Como é que estas taxas evoluíram nos últimos anos?

Entre 2016 e meados de 2022, as taxas de juro do BCE estiveram em níveis historicamente baixos, com a taxa de depósito em terreno negativo (-0,5%) para estimular a economia e combater o risco de deflação. A partir de Julho de 2022, perante a escalada da inflação na zona euro (agravada pela guerra na Ucrânia), o BCE iniciou o ciclo de subidas mais rápido da sua história, elevando, reunião após reunião, as taxas até máximos (4%) que não eram vistos desde a criação do euro. Em 2024, com a inflação já a abrandar, o BCE iniciou um ciclo gradual de cortes, mantendo ainda assim uma política monetária restritiva face aos padrões da última década.

O que leva o BCE a subir ou descer as taxas de juro?

A principal missão do BCE é garantir a estabilidade de preços, definida como uma inflação de 2% no médio prazo. Se a inflação estiver acima desse objectivo e houver risco de se manter elevada, o BCE tende a subir as taxas de juro para travar a procura e conter a subida dos preços. Pelo contrário, se a inflação estiver a cair demasiado ou se a economia mostrar sinais fortes de abrandamento ou recessão, o BCE pode descer as taxas para estimular o consumo e o investimento. Outros factores relevantes na decisão incluem a evolução dos salários, a situação do mercado de trabalho, as condições de financiamento, o crescimento económico e os riscos externos, como choques energéticos ou tensões geopolíticas.

Como é que as taxas de juro do BCE se reflectem nas taxas suportadas pelas pessoas e pelas empresas?

As taxas decididas pelo BCE influenciam o custo a que os bancos se financiam. Quando o BCE sobe as taxas, o financiamento dos bancos torna-se mais caro, e isso acaba por ser transmitido aos clientes através da concessão de empréstimos a juros mais altos, e, habitualmente de forma mais lenta, depósitos mais bem remunerados. Quando o BCE desce as taxas, o processo é inverso: os empréstimos tendem a ficar mais baratos, estimulando o consumo e o investimento.

Como é que estas decisões se reflectem especificamente nas taxas Euribor?

A Euribor (de Euro Interbank Offered Rate) reflecte as taxas a que os bancos da zona euro estão dispostos a emprestar dinheiro entre si. Como essas taxas dependem fortemente das expectativas em relação à política monetária do BCE, a Euribor reage de forma rápida às decisões e, sobretudo, às sinalizações futuras do banco central. Quando o BCE sobe taxas ou indica que o irá fazer, a Euribor tende a subir; quando o BCE corta taxas ou sinaliza que vai suavizar a sua política, a Euribor desce. Foi por isso que a Euribor começou a subir ainda antes das primeiras subidas do BCE em 2022, e começou a cair em antecipação ao início dos cortes.

Porque é que a Euribor é tão importante para as famílias?

Em países como Portugal, uma grande parte dos contratos de crédito à habitação estão indexados à Euribor. Isso significa que as variações desta taxa têm um impacto directo nas prestações mensais pagas pelas famílias, tornando-se num dos principais canais através do qual a política monetária do BCE afecta o rendimento disponível.