A mulher argelina, de 42 anos, trabalhava como ama dos três filhos do casal quando os pais apresentaram queixa em janeiro de 2024, depois de se aperceberem que uma garrafa de sumo de uva cheirava a lixívia e que o desmaquilhante da mãe provocava ardor nos olhos.

Inicialmente, sob custódia policial, admitiu ter colocado produtos de limpeza em garrafas de álcool pertencentes aos empregadores, dizendo aos polícias que “nunca deveria ter trabalhado para uma mulher judia”.

Durante o julgamento, a arguida retratou a confissão, afirmando ter “inventado” a história sob pressão policial e negou qualquer motivação antissemita.

Ao proferir a sentença, o juiz presidente do tribunal do subúrbio parisiense de Nanterre descreveu as ações da arguida como uma “grave quebra de confiança” para com os pais das crianças, então com dois, cinco e sete anos.

O tribunal, contudo, rejeitou a circunstância agravante de antissemitismo por razões processuais, alegando que os comentários da arguida foram feitos demasiado tarde, após o envenenamento, e não tinham sido registados na presença de um advogado.

A advogada da ré argumentou que a cliente tinha sido motivada por uma disputa de pagamento. “A constante comparação entre estas duas vidas, este sentimento de opressão social, levou a este ato extremo. Não é ódio, é sofrimento”, disse a advogada da arguida, Solange Marle.

Foi também considerada culpada de falsificação administrativa por usar um documento de identidade belga falso.

Além da pena de prisão, a ex-ama foi ainda proibida de entrar em território francês durante cinco anos.