Em Espanha, os Mossos d’Esquadra​ e a Guardia Civil espanholas realizaram, na manhã desta quinta-feira, buscas nas instalações do Centro de Investigação em Saúde Animal (CReSA), no seguimento da investigação ao surto de peste suína africana detectado em javalis na serra de Collserola, perto de Barcelona. A detecção da doença levou as autoridades a declarar 91 municípios como zonas infectadas e a aplicar várias medidas de contenção para proteger a produção suína.

Segundo o jornal La Vanguardia, a diligência foi ordenada pelo Juízo de Instrução n.º2 de Cerdanyola del Vallès e enquadra-se em diligências preliminares sob segredo de justiça. A intervenção está a ser realizada em conformidade com os protocolos e as regras de seguranças exigidos em centros de investigação deste tipo, de acordo com as forças de segurança.

A investigação judicial centra-se num eventual crime contra o ambiente e procura apurar a origem do surto de peste suína africana identificado no final de Novembro, com o receio de poder vir a contaminar as explorações de porcos. Uma das hipóteses aponta para a possibilidade de a estirpe do vírus ter origem num laboratório de investigação científica que trabalha com este agente patogénico, o CReSA, localizado em Bellaterra, Barcelona.

O CReSA, que faz parte do Instituto de Investigação e Tecnologias Agro-alimentares (IRTA), encontra-se sob suspeita há vários dias, sobretudo porque os primeiros javalis infectados foram encontrados mortos nas imediações das suas instalações. As dúvidas intensificaram-se após se confirmar que o laboratório realizava ensaios com o vírus antes do surgimento do foco.

Já a 9 de Dezembro, os Mossos d’Esquadra​​, que investigam o caso em conjunto com o Serviço de Protecção da Natureza da Guardia Civil, tinham remetido um primeiro auto aos tribunais de Cerdanyola del Vallès. Em paralelo com o processo judicial, a Generalitat mandou realizar uma auditoria para avaliar se o surto poderá ter tido origem em algum dos centros de investigação em sanidade animal situados num raio de 20 quilómetros do local onde foram detectados os javalis infectados.

Entre os centros analisados está o CReSA-IRTA, que é referido num relatório do Centro de Investigação em Sanidade Animal (do Instituto Nacional de Investigação e Tecnologia Agrária e Alimentar), um laboratório de referência da União Europeia sediado em Valdeolmos, Madrid. O documento indica que o genoma do vírus identificado é semelhante ao da estirpe que circulou na Geórgia em 2007, frequentemente utilizada em estudos experimentais e em testes de vacinas.


O presidente da Generalitat, Salvador Illa, declarou nesta quarta-feira, no Parlamento espanhol, que, com a informação actualmente disponível, não é possível estabelecer que a origem da peste suína africana na Catalunha esteja ligada a laboratórios ou a centros que trabalham com este vírus. Segundo sublinhou, os dados recolhidos até ao momento não sustentam essa hipótese — ainda assim, apelou à cautela e à contenção de conclusões, salientando que as investigações continuam em curso e que será necessário aguardar pelos seus resultados antes de qualquer juízo definitivo.

Até ao momento, foram confirmados 26 casos de javalis encontrados mortos devido à peste suína africana. Todos os animais foram localizados dentro do primeiro perímetro de segurança, num raio de seis quilómetros em torno de Collserola, zona onde foi detectado o primeiro caso da doença.