H. Santiago Druetta

Ilustração de uma “ave do terror”.
Três metros de altura e um bico mortífero eram o maior pesadelo de mamíferos, répteis e outras aves da América do Sul. Mas um dos maiores fósseis conhecidos da espécie teve um destino fatal, traçado por um animal bem maior.
Com três metros de altura, os forusracídeos (Phorusrhacidae), mais conhecidos como aves do terror, dominaram a América do Sul do período Paleoceno ao Pleistoceno, altura em que partilhavam o habitat com primatas, mamíferos ungulados, preguiças-gigantes terrestres e gliptodontes (parentes dos tatus com dimensões comparáveis às de um automóvel).
A ave gigantesca, que atingia os três metros de altura, não conseguia voar, mas isso não era um problema para ela: deslocavam-se rapidamente, em corrida, a velocidades de mais de 40 km/h, e alimentava-se sobretudo de outros animais.
Os seus bicos gigantescos, curvos e fortíssimos eram capazes de pôr pontos finais a várias vidas ao golpear e despedaçá-las: se com eles coexistissem, podiam dar cabo de cavalos modernos com facilidade. Caçavam pequenos mamíferos, répteis e outras aves.
Eis o exemplar realista de um membro da família das aves do terror, exposto no Museu de História Natural de Viena:
O grupo desta espécie, extinguida pela Idade do Gelo, inclui quase 20 espécies distribuídas por 14 géneros e cinco subfamílias, e os seus parentes vivos mais próximos serão as seriemas, aves sul-americanas da família Cariamidae.
Fósseis foram encontrados sobretudo na Argentina, Uruguai, Brasil e Patagónia chilena, com algumas espécies também identificadas na América do Norte, após a formação do istmo do Panamá. Mas um fóssil, descoberto nos anos 2000 no Deserto de Tatacoa, na Colômbia, datava de há cerca de 12 milhões de anos e poderá ter sido um dos maiores conhecidos para a espécie identificada, entre 5% e 20% acima dos exemplares já descritos.
Neste caso colombiano, o osso apresentava marcas interpretadas como possíveis sinais de dentadas de Purussaurus, um caimão extinto que poderá ter atingido cerca de 9 metros de comprimento, que terá matado a ave do terror, dizem os investigadores do estudo publicado na Papers in Palaeontology à Science News.