Compartilhar
Compartilhar
Ou
https://www.archdaily.com.br/br/1036723/casa-rl-17-lap
© Monica Barreneche
Este projeto representa uma nova visão arquitetônica que desafia os conceitos tradicionais do que deveria ser a casa de descanso colombiana.
“A casa não é apenas um abrigo; é um conjunto de espaços que, através de gestos arquitetônicos, deve permitir o trânsito entre distintas sensações.” Essa filosofia se reflete claramente no trabalho arquitetônico da LAP – Left Angle Partnership-.
Um exemplo é a casa RL17, localizada na periferia de Anapoima, Colômbia, um povoado de clima quente e vegetação tropical abundante, a poucas horas de carro de Bogotá. A topografia do local oferece múltiplas possibilidades de diálogo com o terreno, permitindo a criação de refúgios de verão que convivem de forma íntima com a natureza e valorizam as sensibilidades humanas. O projeto se desenvolve no âmbito de um plano urbanístico com estilos arquitetônicos comuns previamente estabelecidos, os quais poderiam restringir a liberdade criativa do arquiteto. No entanto, para Juan Carlos Naranjo, da LAP, essas condicionantes, longe de se configurarem como um limite, tornaram-se uma oportunidade para a inovação.
Camuflados na vegetação do trópico, dois blocos assimétricos de concreto em tom verde-cipreste rompem com o estereótipo arquitetônico do lugar. “A casa de dois pavimentos é organizada a partir de um canal axial que abre o espaço entre dois volumes laterais, criando uma corrente de ventilação cruzada e proteção frente à intensa incidência solar. A fachada frontal, marcada por um gesto denso de alvenaria, ancora o volume ao solo por meio de aberturas estrategicamente posicionadas, em contraposição à fachada posterior que, livre de pilares, produz um efeito de placas flutuantes”, uma breve descrição por parte de Naranjo, da primeira impressão arquitetônica que gera o conhecimento da casa.
Planta – Primeiro Pavimento
Corte Longitudinal
Planta – Segundo Pavimento
Este projeto não se revela à primeira vista; requer ser percorrido em sua totalidade para compreender sua verdadeira espacialidade. É precisamente essa complexidade, que se apresenta de maneira simples, o que o torna ainda mais fascinante. Cada uma de suas quatro fachadas representa uma faceta diferente da mesma estrutura.
A fachada frontal, de caráter limpo e reservado, revela os dois volumes articulados por uma pérgola metálica que se configura como o eixo visual do projeto, evocando, por sua monumentalidade e minimalismo, a entrada de um museu. Em contraste, a fachada posterior adota uma linguagem aberta e expressiva, a partir da qual se torna legível a organização funcional da casa: dois volumes arrematados por beirais, uma sala ampla e integrada que conforma a zona social, uma escada transversal em alvenaria branca e um mezanino que conecta o dormitório principal a um estúdio localizado no segundo nível.
As fachadas laterais estabelecem um diálogo aberto com a arquitetura pré-existente, incorporando muros de pedra, blocos em tom verde e vegetação abundante. Sua honestidade material se integra de maneira harmônica ao terreno, reforçada pela proposta paisagística, igualmente desenvolvida pela LAP.
© Monica Barreneche
© Monica Barreneche
Implantada em um terreno de 900 m2, com pouco menos de 400 m2 de área construída, a proposta responde à demanda por um lugar de fácil acesso, absoluto conforto, clareza visual marcante e vistas garantidas a partir de todos os ambientes. Essas premissas orientaram as decisões do arquiteto ao longo do projeto. “Um arquiteto deve aprender a soltar a mão”, enfatiza Naranjo ao refletir sobre a liberdade inerente ao desenvolvimento de um projeto feito sob medida. “Cada ala está rotacionada dez graus, criando um acesso mais contido e, ao mesmo tempo, abrindo a vista panorâmica para o lago. Trata-se de uma brincadeira com o tempo, na qual os volumes laterais permanecem congelados, enquanto o pátio central, por meio da vegetação e do jogo de sombras, se transforma diariamente para contar uma história diferente”, acrescenta o arquiteto.
Materialmente, a casa, apesar de sua volumetria robusta e escala generosa, é resolvida de forma clara e coerente. O concreto constitui a base do sistema construtivo, enquanto os pisos claros italianos da Strombolli contribuem para a manutenção de uma temperatura interna mais fresca. As portas deslizantes simulam a madeira laminada e o mobiliário em ferro compõe a estrutura metálica escultural que antecipa a pérgola.
Em determinados momentos, a casa parece flutuar graças aos gestos fluidos de projeto desenvolvidos pela LAP. “Por exemplo, as escadas da sala transformam-se no sofá central da casa, com dezesseis assentos que se estendem em direção à vegetação. O desenho da área social integra-se de forma harmônica à paisagem circundante, diluindo os limites entre o jardim exterior e o interior”, afirmam os arquitetos.
Paralelamente, uma escada escultural e minimalista conduz o olhar ao segundo pavimento, onde a pérgola se entrelaça ao paisagismo interno, consolidando o conceito central do projeto. “Por meio das amplas janelas e portas de vidro, que possibilitam uma conexão fluida entre o interior e o exuberante ambiente exterior, esta casa se apresenta como etérea, privada, permeada de ar e fluidez”, concluem os arquitetos.
© Monica Barreneche



+ 27
© Monica Barreneche
© Monica Barreneche
© Monica Barreneche
© Monica Barreneche
© Monica Barreneche
© Monica Barreneche
© Monica Barreneche
© Monica Barreneche