Pela quarta reunião consecutiva, os membros do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE) decidiram esta quinta-feira manter a principal taxa de juro da zona euro em 2%. O actual nível da inflação satisfaz e, por isso, não são dados sinais de mexidas dos juros nos próximos tempos.
Se, entre Julho de 2022 e Setembro de 2023, a taxa de juro de depósito (a actual referência para os custos de financiamento na zona euro) subiu de -0,5% para 4% e, entre Junho de 2024 e Junho de 2025, voltou a diminuir de 4% para 2%, agora aquilo que o BCE está decidido que aconteça é uma estabilização prolongada do nível das taxas de juro sentidas pelas empresas e famílias europeias.
A decisão de manter as taxas de juro a 2% já era unanimemente prevista pelos analistas e esta quinta-feira, no final da reunião de dois dias dos responsáveis da instituição, o comunicado emitido pelo BCE confirmou-o. As três taxas de juro de referência do BCE ficaram ao mesmo nível a que foram colocadas em Junho e mantidas nas reuniões de Julho, Setembro e Novembro: a taxa de juro de depósito em 2%, a taxa das operações principais de refinanciamento em 2,15% e a taxa da facilidade de cedência de liquidez em 2,4%.
As taxas de juro definidas pelo BCE servem para o banco central definir a facilidade e o custo de acesso ao crédito e assim influenciarem o nível da procura e dos preços na economia, para cumprirem o seu objectivo de uma inflação de 2% no médio prazo. O nível das taxas do BCE reflecte-se nas taxas de juro praticadas pelos bancos nos seus empréstimos, nomeadamente através da evolução das Euribor, que servem de referência na maior parte dos créditos concedidos em Portugal.
No comunicado em que anunciaram a decisão de manter as taxas de juro, os responsáveis apresentam as suas novas estimativas para a inflação e afirmam – justificando assim a decisão de manter as taxas de juro inalteradas – que a avaliação que fizeram “reconfirma que a inflação deve estabilizar próximo do objectivo de 2% no médio prazo”.
Crescimento revisto em alta
De facto, a inflação na zona euro continua a dar sinais de estar a estabilizar em torno do objectivo de 2% do BCE. Em Novembro, de acordo com os dados publicados pelo Eurostat, a taxa de inflação homóloga entre os países da moeda única europeia subiu de 2,1% para 2,2%. E expectativa é a de que, nos próximos meses, devido à recente queda dos preços do petróleo nos mercados internacionais, a inflação possa vir a baixar, podendo mesmo ficar temporariamente mais perto de 1,5% ao longo do primeiro trimestre do próximo ano.
Nas suas novas previsões, também divulgadas esta quinta-feira, o BCE antecipa que a taxa de inflação na zona euro seja de 2,1% este ano e de 1,9% em 2026. Em Setembro, a projecção do banco central já era de uma inflação de 2,1% este ano, mas para 2026, a estimativa era de 1,7%.
Para 2027 e 2028, a expectativa da autoridade monetária é a de que a inflação continue muito próximo do objectivo, situando-se em 1,9% e 2%, respectivamente.
No que diz respeito à economia, o BCE revela estar mais optimista do que estava em Setembro. A previsão agora é de um crescimento da zona euro este ano de 1,4%, seguido de variações do produto interno bruto (PIB) de 1,2% em 2026 e 1,4% em 2027. Há três meses, o banco central apenas estava à espera de taxas de crescimento de 1,2% este ano, de 1% no próximo e de 1,3% em 2027.
Este desempenho mais forte da economia, a par com uma maior aproximação da inflação ao objectivo de 2% logo em 2026, dá força aos argumentos para a manutenção das taxas de juro aos níveis actuais.
Mas ainda assim, se em relação ao que faria esta quinta-feira não havia dúvidas sobre a decisão do BCE, já no que diz respeito à evolução das taxas ao longo do próximo ano permanece alguma incerteza.
No comunicado publicado são dadas poucas pistas em relação a isso, com os responsáveis do BCE a garantirem apenas que “continuam determinados a garantir que a inflação estabiliza junto do objectivo de 2%”, com isso a ser feito através de “uma abordagem reunião a reunião e dependente dos dados”.
Ao início da tarde desta quinta-feira, Christine Lagarde irá, como é hábito, dar explicações aos jornalistas sobre a decisão tomada, podendo eventualmente dar mais pistas sobre qual será o rumo a adoptar pelo BCE na condução da sua política monetária ao longo de 2026.