O corpo da vítima, conhecida por Teresa “Gaita”, foi descoberto ao fim da tarde de terça-feira, no interior do logradouro da sua residência, após uma alerta à GNR de um outro vizinho que estranhou a falta das movimentações habituais da mesma.
“O cadáver apresentava ferimentos extensos na cabeça, compatíveis com golpes de objeto corto-contundente e reveladores da intervenção de terceiros”, informou, esta sexta-feira, a PJ, acrescentando que há “fortes indícios da autoria dos factos por parte do suspeito, o qual, após cumprimento de busca domiciliária, foi detido fora de flagrante delito”.
O homem será apresentando às autoridades judiciárias no Tribunal de Guimarães para primeiro interrogatório judicial e aplicação de medidas de coação.
Rumores de que ganhara a lotaria
A PJ não avança, em comunicado, o motivo que estará na origem do crime, mas a lotaria parece ser a única explicação plausível que os vizinhos encontram para o homicídio da mulher, que, aparentemente, não tinha nada para ser roubado, a não ser o eventual prémio de jogo, que até ontem ninguém confirmara.
“Ultimamente, dizia-se que a Dona Teresa tinha ganhado uma fortuna na lotaria, mas nós não sabemos se foi mesmo verdade”, contou Joaquim Ferreira, vizinho, ao JN. “O que é certo é haver quem se tivesse convencido que ganhou mesmo muito dinheiro na lotaria, que lhe saiu a sorte grande, podendo ter havido cobiça ou alguma coisa do género, pois seguiram-lhe muito bem os passos”, acrescentou.
No domingo, Teresa “Gaita” foi vista com vida, mas, nos dois dias seguintes, a sua ausência motivou preocupação. “Não era uma pessoa muito sociável, mas preocupávamo-nos muito com ela. Na terça-feira, os cães estavam já muito agitados, não víamos o fumo a sair da chaminé, nem a senhora a falar para os animais, pelo que chamei a GNR”, disse Miguel Antunes, outro vizinho.
Teresa de Jesus enviuvou do operário da construção Fernando “Boguinhas” quando tinha cerca de 60 anos, passando então a beber em excesso e a descuidar a sua saúde, segundo apurou o JN.
O presidente da Junta de Freguesia de Adaúfe, Abel Gomes, afirmou ao JN que a “zona é muito calma”, por isso, confessou: “estamos chocados”.
Segundo o autarca de Adaúfe, “a Dona Teresa vivia ali sozinha, na companhia de alguns cães, mas o facto de ter sido um crime de homicídio deixa-nos naturalmente preocupados, esperando agora pelo trabalho que está a ser feito pela Polícia Judiciária”.
Enquanto aguarda resposta dos familiares, a autarquia local está a tratar de organizar o funeral de Teresa de Jesus, porque, apesar de ser pessoa de poucas palavras, era estimada.
“Fomos todos surpreendidos com este acontecimento, especialmente pela atrocidade deste crime”, confessou o pároco de Adaúfe, José Sepúlveda, mais conhecido como Padre Zé, que era primo em terceiro grau da septuagenária.