Os salários reais na Europa deverão registar em 2026 um crescimento ligeiramente superior ao previsto para 2025, refletindo a recuperação do poder de compra após o choque inflacionista de 2022. No entanto, Portugal surge entre os países com pior desempenho esperado, ficando na cauda da tabela europeia.
Segundo o site ‘Euronews’, dados compilados a partir do relatório ‘Salary Trends 2025-26’, da ‘Employment Conditions Abroad’, indicam que o crescimento mediano dos salários reais nos países europeus analisados deverá acelerar de 1,4% em 2025 para 1,7% em 2026. Apesar desta melhoria generalizada, as diferenças entre países continuam a ser significativas.
Portugal entre os piores desempenhos salariais
No caso português, o aumento real esperado dos salários em 2026 é de apenas 1,4%, colocando Portugal entre os países com crescimento mais baixo da Europa. Piores resultados só são projetados para economias como Áustria, Países Baixos, Itália, Finlândia, Noruega, Reino Unido, Grécia e Roménia, sendo esta última a única com crescimento negativo, estimado em -0,7%.
Os dados mostram que, apesar de um aumento nominal dos salários em Portugal na ordem dos 3,6%, a inflação prevista de 2,1% acaba por reduzir significativamente o ganho real, resultando num crescimento efetivo de apenas 1,4%. Este valor coloca Portugal abaixo da média europeia e evidencia as dificuldades persistentes em traduzir aumentos salariais nominais em ganhos reais de poder de compra.
Recuperação europeia após o choque inflacionista
De acordo com o Banco Central Europeu, os salários reais na zona euro recuperaram, em grande medida, da forte quebra registada durante o período de inflação elevada. No início de 2025, os salários reais estavam já próximos dos níveis observados antes do pico inflacionista do final de 2021, uma vez que os salários nominais passaram a crescer acima dos preços.
Segundo a ‘Euronews’, os dados mais recentes disponíveis apontam para aumentos reais dos salários em quase todos os países europeus em 2025, tendência que deverá manter-se em 2026. Até ao final deste ano, os salários reais deverão crescer em 23 dos 25 países analisados, com exceção da Roménia e da Ucrânia.
Europa de Leste lidera, grandes economias ficam atrás
Os maiores crescimentos salariais reais continuam a concentrar-se na Europa de Leste. Hungria, Polónia, Rep. Checa e Bulgária deverão integrar o grupo de países com melhor desempenho em 2026, beneficiando de maior crescimento económico e ganhos de produtividade mais robustos.
A Turquia destaca-se de forma particular, com um crescimento real estimado de 8,1% em 2026, após já ter liderado o ranking em 2025. Ainda assim, os analistas alertam que a elevada inflação continua a limitar o poder de compra dos trabalhadores turcos.
Entre as grandes economias da Europa Ocidental, França surge à frente, seguida da Alemanha. Itália e Reino Unido ficam mais atrás, penalizados sobretudo por níveis de inflação mais elevados. Espanha e Países Baixos também deverão permanecer abaixo da média regional, num contexto marcado por crescimento fraco da produtividade, restrições orçamentais e maior prudência das empresas em compromissos salariais de longo prazo.
Resultados baseados em inquérito a multinacionais
As projeções têm por base um inquérito realizado pela ECA a cerca de 200 multinacionais entre agosto e outubro de 2025. As empresas indicaram os aumentos salariais aplicados em 2025 e os que antecipam para 2026, sendo os valores reais calculados com base nas previsões de inflação do Fundo Monetário Internacional.