O vídeo-árbitro (VAR) Rui Silva e o assistente de vídeo-árbitro (AVAR) Tiago Leandro do jogo de quinta-feira entre Santa Clara e Sporting e que estão no centro da polémica por causa do lance da grande penalidade que permitiu ao Sporting empatar a partida já em período de descontos (os “leões” viriam a vencer por 3-2, após prolongamento), pediram dispensa da jornada deste fim-de-semana da I Liga.

A confirmação surgiu por parte da Federação Portuguesa de Futebol, com esta entidade a revelar que foram os próprios árbitros que solicitaram a dispensa da sua presença em qualquer partida da 15.ª jornada da competição. Rui Silva estava escalado para estar como VAR no Tondela-Casa Pia, enquanto Tiago Leandro estaria no Estoril-Sp. Braga. Já João Pinheiro continua nomeado para apitar a partida entre o Alverca e o FC Porto, na segunda-feira.

A polémica envolve o lance que permitiu ao Sporting fazer o 2-2, na conversão de uma grande penalidade na partida dos oitavos-de-final da Taça de Portugal e, assim, evitar uma possível eliminação da prova, levando o jogo para prolongamento que viria a terminar com o resultado em 3-2 favorável aos “leões”. A jogada (alegada agressão de Tiago Duarte ao sportinguista Hjulmand na área do Santa Clara) esteve em análise pelo VAR durante 14 minutos, tendo depois sido solicitado ao árbitro João Pinheiro para visualizar as imagens. De seguida, João Pinheiro decidiu por assinalar grande penalidade.

Santa Clara quer anular o jogo

As ondas de choque relativamente ao caso continuam e nesta sexta-feira o presidente da SAD do Santa Clara revelou que o clube açoriano pondera vir a pedir a anulação da partida.

“Pedimos para ouvir os áudios do VAR do lance do penálti. Queremos entender o porquê de o VAR (e pelo protocolo ele só deve actuar com certeza do lance) demorar mais de 10 minutos de revisão. Facto que nunca presenciei no futebol”, escreveu Bruno Vicintin no Instagram, presidente da SAD do Santa Clara,a crescentando que o clube insular foi informado “extra-oficialmente de que a tecnologia não funcionou e as linhas não foram apresentadas na transmissão”, referindo-se a uma eventual posição de fora-de-jogo de Hjulmand, no mesmo lance. “Esperamos que não seja verdade”, continua, advertindo depois: “Se [o VAR] tomar uma decisão por uma tecnologia que não foi apresentada pode até ser erro de direito e levar, na minha opinião, à anulação da partida”.

Vicintin revela ainda que o Santa Clara pretende pedir a “anulação da expulsão do Paulo Victor para que ele possa participar na próxima partida”. Paulo Victor viu o cartão vermelho minutos antes do lance da grande penalidade e, na opinião de Vicintin, as imagens são claras: “Ele nem participa no lance e é assustador o VAR não ter chamado para revisão. Esperamos que justiça seja feita e que não sejamos ainda mais prejudicados” escreveu.

Comunicados dos rivais

Ainda o jogo nos Açores não tinha acabado e já o Benfica tinha emitido um comunicado no qual criticaram fortemente o ocorrido em São Miguel. “O que se passou neste jogo da Taça de Portugal nos Açores é inqualificável e inaceitável para a credibilidade do futebol português. Doze minutos para encontrarem um penálti para beneficiar a mesma equipa de sempre, vez após vez. No mesmo campo onde o ano passado uma grande penalidade clara e evidente contra o Sporting nem mereceu a atenção do VAR e onde, já esta época, venceu com um canto fantasma. Fenómenos que acontecem sempre que o Sporting não está a ganhar.”

Já nesta sexta-feira foi a vez de o FC Porto emitir o seu comunicado, não tanto dirigido ao jogo em concreto, mas apontando as baterias aos órgão dirigentes da arbitragem nacional e até ao presidente da FPF, Pedro Proença.

“Exige-se ao senhor presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, até pelo seu reconhecido passado como árbitro de primeira linha, uma ponderação profunda e a adopção de medidas urgentes sobre o funcionamento da arbitragem em Portugal, bem como sobre o desempenho de várias das suas escolhas para liderar este sector, nomeadamente o senhor presidente do Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves, e o Director Técnico Nacional de Arbitragem, Duarte Gomes”, escrevem os “dragões”, num comunicado com cinco pontos e que é assinado pela direcção do clube.

E acrescentam: “Na última semana, muito se falou sobre novos passos de ‘transparência’ na arbitragem, a propósito das inovadoras ‘bodycams’. Apesar de, como foi visível ontem, os benefícios se resumirem a cosmética televisiva – mostrando um árbitro 12 minutos parado no centro do campo à espera de uma decisão do VAR -, talvez fosse mais apropriado, em nome da tão propalada transparência, resolver definitivamente questões determinantes para o futebol português, como a uniformização da tecnologia VAR em todos os estádios portugueses, a implementação da tecnologia de linha de golo e do fora de jogo semiautomático, bem como a disponibilização imediata dos áudios do VAR”.