Kiev garante que o Qendil, que arvora a bandeira de Omã, “sofreu danos críticos” no ataque e “não pode ser usado para o fim a que se destina”
A Ucrânia afirmou esta sexta-feira ter atacado um petroleiro da frota fantasma da Rússia no Mar Mediterrâneo, a cerca de 2000 quilómetros do seu território.
A informação foi avançada por uma fonte do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) à CNN.
Imagens obtidas pela CNN (no vídeo de capa) mostram um drone a atingir o petroleiro Qendil, seguido de várias explosões. O navio pareceu continuar a navegar após os ataques.
A fonte ucraniana garante que o navio, que arvora a bandeira de Omã, “sofreu danos críticos” no ataque e “não pode ser usado para o fim a que se destina”.
“No momento da operação especial, o navio russo não transportava nenhuma carga e estava vazio”, acrescentou a fonte. “Portanto, esse ataque não representou nenhuma ameaça à situação ecológica da região.”
De acordo com o site Marine Traffic, o Qendil estava a navegar em direção ao porto russo de Ust Luga, no Báltico, estando neste momento ao largo da ilha grega de Creta.
“A Federação Russa utilizou este petroleiro para contornar as sanções e ganhar dinheiro que foi canalizado para a guerra contra a Ucrânia; portanto, do ponto de vista do direito internacional e das leis e costumes da guerra, este é um alvo absolutamente legítimo para o SBU”, diz a fonte. “O ataque em águas internacionais demonstra que a Ucrânia irá perseguir os ativos russos onde quer que eles operem e não permitirá que os navios que apoiam os esforços de guerra de Moscovo ajam com impunidade”.
Este ataque em específico ainda não foi comentado pelo Kremlin, mas o presidente Vladimir Putin já garantiu que a Rússia vai “definitivamente responder” aos ataques ucranianos contra petroleiros russos. O líder russo diz que os ataques têm como objetivo fazer subir os preços dos seguros, algo que “não vai resultar”.
“Tal não vai levar ao resultado esperado, no final, não vai interromper nenhum abastecimento, mas apenas criar uma ameaça adicional. Uma resposta da nossa parte irá chegar”, disse Putin, citado pela Anadolu, esta sexta-feira, durante a conferência de imprensa especial de final de ano em Moscovo.
A Rússia construiu esta chamada frota fantasma desde a sua invasão da Ucrânia em 2022. Estas embarcações transportam petróleo russo dos portos do Báltico e do Mar Negro, apesar das sanções ocidentais, rendendo ao Kremlin centenas de milhões de euros todos os anos.
Recentemente, pessoal russo com ligações aos serviços militares e de segurança do país tem-se envolvido em espionagem em águas europeias enquanto trabalha secretamente nestes navios que transportam petróleo russo, revelaram fontes dos serviços secretos ocidentais e ucranianos em exclusivo à CNN.