kite_rin / adobe.stock.comEntender o seu perfil é importante antes de comparar modelos ou preços de celulares.kite_rin / adobe.stock.com

Escolher um telefone celular vai muito além de olhar especificações técnicas ou seguir tendências de mercado. O processo começa com uma autoanálise: como você utiliza o aparelho no cotidiano?

Um usuário que passa horas navegando nas redes sociais e usando aplicativos de mensagem tem necessidades completamente diferentes de alguém que grava vídeos em 4K ou joga games mais pesados. 

Por isso, entender o seu perfil é importante antes de comparar modelos ou preços. Saiba mais:

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Como escolher o melhor celular

Se o foco são jogos, por exemplo, é importante priorizar desempenho, boa gestão térmica e telas com taxas de atualização mais altas, que deixam a experiência mais fluida. 

Já quem trabalha com produção de conteúdo, fotografia ou simplesmente gosta de registrar o dia a dia com qualidade, deve prestar atenção na construção do conjunto de câmeras, na estabilização, na abertura das lentes e no software de processamento de imagem que acompanha o dispositivo.

Andrey Popov / stock.adobe.comQuem trabalha com produção de conteúdo deve prestar atenção no software de processamento. Andrey Popov / stock.adobe.com

Por outro lado, para quem deseja apenas usar redes sociais, realizar chamadas e ter um aparelho confiável, o que faz diferença é a fluidez do sistema e uma boa autonomia de bateria, não necessariamente o processador mais avançado do mercado.

O melhor smartphone é o que equilibra custo, desempenho e o que importa pra você.RAFAEL FRANCO

Especialista em tecnologia da informação e CEO da Alphacode

O especialista em tecnologia da informação e CEO da Alphacode, Rafael Franco, explica que o segredo é priorizar os recursos que realmente vão impactar a sua rotina, e não aquilo que apenas parece impressionante na ficha técnica.

— É fundamental priorizar o uso que você fará, mas também considerar a segurança do aparelho e a garantia de atualizações para proteger seus dados – complementa o especialista em tecnologia e cibersegurança Ataíde Junior.

Desempenho, memória e processador

Um bom desempenho depende da combinação entre processador, memória RAM e otimização do sistema. Hoje, a maioria dos usuários comuns consegue realizar todas as tarefas do dia a dia — redes sociais, vídeos, navegação, fotos, mensagens — com 8GB de RAM

No entanto, quem costuma jogar, fazer multitarefas ou trabalha com edição de imagens e vídeos no celular se beneficia de 12GB. Isso evita travamentos e melhora a agilidade na troca entre aplicativos. 

É importante entender que nem sempre o processador mais caro é o mais adequado: modelos intermediários atuais já oferecem excelente desempenho, com eficiência energética maior e menos aquecimento.

— Devido à quantidade de aplicativos que usamos no dia a dia, o mínimo recomendado hoje é de 8GB de RAM para uma experiência fluida e sem travamentos — explica Wanessa Toledo, responsável pela assistência técnica Doutor Celular.

Além disso, Franco lembra que apenas olhar o nome do processador pode ser enganoso.

— O ideal é buscar testes de desempenho por modelo e acompanhar análises que mostrem o uso real: jogos, multitarefa, aquecimento e consumo de bateria — detalha.

Câmeras

dikushin / stock.adobe.comO que faz diferença é o tamanho e a qualidade do sensor.dikushin / stock.adobe.com

A quantidade de megapixels (MP), frequentemente destacada em campanhas publicitárias, não define isoladamente a qualidade de uma foto.

O que faz diferença é o tamanho e a qualidade do sensor, a abertura das lentes (que permite mais ou menos entrada de luz), a estabilização óptica e o software responsável pelo tratamento da imagem. 

Há câmeras de 12MP que entregam muito mais qualidade que sensores de 64MP mal otimizados. A qualidade do sensor, a lente e o processamento de imagem são mais importantes do que o número bruto de megapixels — observa Franco.

Para quem grava vídeos, recursos como estabilização óptica, suporte a gravação em 4K, foco rápido e microfones eficientes garantem resultados profissionais mesmo em dispositivos intermediários. 

A lente ultrawide amplia possibilidades criativas, enquanto a macro é útil para detalhes — embora, em muitos casos, seja mais um complemento do que um recurso indispensável.

Tela, sistema e experiência de uso

H_Ko / stock.adobe.comEscolha entre Android e iOS depende mais do gosto e da rotina.H_Ko / stock.adobe.com

A tela é um dos fatores que mais influenciam a experiência. Telas AMOLED ou Super AMOLED oferecem cores mais vivas, contraste profundo e melhor visualização sob luz forte. 

Já as taxas de atualização de 90 hertz (Hz) ou 120Hz trazem fluidez perceptível, principalmente ao rolar páginas e jogar. 

Esses detalhes, muitas vezes, têm impacto maior na sensação de qualidade do que outros componentes.

A escolha entre Android e iOS depende mais do gosto e da rotina. O iOS é conhecido pela integração entre dispositivos e interface mais padronizada, enquanto o Android oferece variedade de modelos, faixas de preço e personalização. 

No entanto, o fator decisivo deve ser a política de atualizações: aparelhos com suporte garantido por mais anos permanecem seguros, rápidos e atualizados.

Armazenamento e vida útil

Celulares com 128GB de armazenamento costumam atender à maioria dos usuários, mas quem grava vídeos, instala muitos aplicativos ou fotografa com frequência pode se beneficiar de 256GB ou mais. 

Manter uma folga de espaço é essencial porque, quando o armazenamento fica muito cheio, o desempenho do aparelho tende a cair. 

Além disso, modelos com expansão via cartão microSD oferecem flexibilidade, mas isso tem se tornado menos comum.

A bateria também merece atenção. Unidades de 5 mil miliamperes-hora (mAh) já permitem um dia inteiro de uso intenso na maioria dos smartphones atuais, especialmente quando combinadas com processadores eficientes. 

O carregamento rápido é seguro quando bem implementado, mas exige cuidados simples, como evitar uso pesado durante a recarga.

— Carregamento rápido usa controle de tensão e temperatura. Se bem implementado, o risco é baixo, mas o uso contínuo pode impactar a vida útil da bateria — alerta Ataíde.

djoronimo / stock.adobe.comNFC é usado para pagamentos por aproximação. djoronimo / stock.adobe.com

Funções como NFC (para pagamentos por aproximação), Bluetooth 5.3, Wi-Fi 6 e 5G trazem mais agilidade e praticidade no uso cotidiano. 

Já certificações como IP67 aumentam a proteção contra água e poeira, um diferencial importante para quem usa o celular em ambientes externos ou não quer correr riscos em acidentes com líquidos. 

Estruturas reforçadas, vidro resistente e acabamentos premium também influenciam a durabilidade, e não apenas a estética.

Quando é hora de trocar o celular?

A troca faz sentido quando o celular começa a travar com frequência, perde suporte de atualizações de segurança ou deixa de atender a novas demandas do usuário, como câmeras mais avançadas ou redes 5G. 

Em geral, um bom aparelho pode ter vida útil de dois a três anos, ou até mais, se bem cuidado.

— Trocar todo ano perdeu relevância com o avanço de performance e durabilidade — destaca Franco.

Práticas como revisar aplicativos instalados, limpar o armazenamento regularmente e, ocasionalmente, restaurar o sistema ajudam a prolongar a vida útil do dispositivo.