Opinião de João Duarte, fundador e CEO YoungNetwork Group

O futuro da criatividade vive no cruzamento entre máquina e humano. Sem distrações: mãos no volante, já!

Quem vê Max Verstappen a correr percebe rapidamente uma coisa: por mais avançado que seja o carro, por mais ajudas que tenha, há decisões que só o piloto consegue tomar. Há travagens e ultrapassagens que não vêm da tecnologia nem dos dados, vêm do instinto e da criatividade. No nosso setor, o futuro da criatividade vive exatamente nesse cruzamento entre máquina e humano: tecnologia a ajudar, sim, mas alguém com as mãos no volante.

Vivemos num momento em que tudo acontece a grande velocidade. A comunicação deixou de ser previsível e passou a ser permanente, fragmentada, em fluxo contínuo. As plataformas mudam, os comportamentos mudam e a atenção tornou-se a pista mais concorrida do mundo. A criatividade, por isso, deixou de ser um momento isolado: é uma competência transversal, essencial para encontrar soluções novas em cenários que se repetem cada vez menos.

A tecnologia não cria significado, apenas o prepara. A criatividade continua a ser o que transforma informação em intenção, dados em narrativas, ruído em sentido. A inovação só é realmente útil quando serve a ideia e a criatividade tornou-se ubíqua porque hoje tudo comunica: um gesto, um produto, um silêncio, um pixel.

E chegamos então à inteligência artificial. A IA é um copiloto poderoso, mas não é o Max: analisa, simula, antecipa, sugere caminhos que talvez não vislumbrássemos sozinhos. Mas não sente o contexto, não reconhece o momento certo, não escolhe a ultrapassagem decisiva.

Ao longo das duas últimas décadas, ficou evidente que quem trabalha comunicação só avança quando consegue adaptar-se. Todos fomos obrigados a mudar de trajetória várias vezes: do offline para o digital, das redações tradicionais para as plataformas, das campanhas lineares para ecossistemas narrativos. A criatividade tem sido, em todos esses momentos, o que permite fazer a curva sem derrapar.

Ficamos felizes por saber que o futuro da criatividade (ainda) continua a depender de nós. Tal como Verstappen, podemos ter o melhor carro, a melhor engenharia e os melhores dados, mas no fim é a qualidade do piloto que escreve o sucesso.

A IA acelera, mas não conduz. O piloto és tu.