Enquanto os custos dos carros continuam a subir na Europa, o mercado na China enfrenta uma realidade oposta, marcada por uma desvalorização agressiva que forçou a intervenção direta do Governo de Pequim. Esta nova regulamentação surge como uma tentativa de travar uma espiral de descontos que ameaça a sustentabilidade de um dos setores mais vitais da economia chinesa.
O colapso dos preços no mercado doméstico chinês
Apesar do sucesso comercial das marcas chinesas a nível internacional, o cenário interno é de uma competitividade feroz. De acordo com Wang Xia, figura de relevo no Conselho da China para a Promoção do Comércio Internacional, mais de 200 modelos sofreram reduções de preço consideráveis durante o ano de 2024.
Esta tendência atingiu o seu pico em maio, quando vários fabricantes aplicaram descontos massivos que ultrapassaram os 6300 euros (cerca de 50.000 yuans). Em casos extremos, algumas viaturas foram comercializadas por valores próximos dos 3800 euros.
Esta estratégia de preços predatórios não só reduziu drasticamente as margens de lucro, como também empurrou fabricantes de menor dimensão para a falência, desestabilizando toda a cadeia de valor.
Para conter o caos, a Administração Estatal para a Regulação do Mercado (State Administration for Market Regulation, SAMR) publicou um documento com novas diretrizes, em consulta pública até ao final de dezembro. As normas estabelecem que os fabricantes devem fixar os seus preços com base em critérios objetivos, como os custos de produção e as condições reais de mercado, garantindo simultaneamente a autonomia comercial dos distribuidores.
Um dos pontos fulcrais desta normativa é a proibição explícita de vender veículos abaixo do preço de custo, uma prática utilizada para aniquilar rivais ou consolidar monopólios. Além disso, as novas regras impedem acordos de fixação de preços entre fabricantes e exigem que os concessionários apresentem tabelas de preços transparentes.
A resposta dos gigantes do setor na China
Fabricantes de peso, como a BYD, a Xpeng, a Nio e a Chery, já manifestaram o seu apoio oficial a estas medidas. A BYD, atual líder mundial na produção de veículos elétricos, comprometeu-se a otimizar os seus sistemas de gestão para se alinhar com a nova legislação.
Paralelamente, estão a ser introduzidas normas que facilitam o financiamento automóvel, reduzindo os custos para os clientes que desejam trocar de viatura.
A expressão “involução” tem sido frequentemente utilizada para descrever o atual estado do mercado chinês: uma corrida autodestrutiva para o fundo. Embora o Governo tenha tentado intervir anteriormente, os dados indicam que os preços continuaram a cair no segundo semestre de 2024.
O desafio futuro será gerir o excesso de capacidade de produção das fábricas na China num contexto de procura interna ainda fragilizada, especialmente no segmento de luxo.
Leia também:

