NCMEC / Facebook

Michelle foi dada como desaparecida em 1983, quando tinha 3 anos. À direita, imagem gerada pelo National Center for Missing and Exploited Children mostra como Michelle seria atualmente

Michelle Newton descobriu aos 46 anos que viveu décadas com outra identidade. Pai procurou-a durante anos.

Uma mulher de 46 anos, criada sob um nome diferente, descobriu no final de novembro que se chama, afinal, Michelle Marie Newton.

Michelle desapareceu em 1983 e foi procurada durante décadas pela família e por autoridades em todo o país, incluindo o FBI. Nunca soube que tinha sido raptada em criança, até ao dia em que agentes da polícia bateram à sua porta e lhe disseram muito diretamente: “você não é quem pensa ser”.

A revelação foi feita pela própria à estação WLKY de Louisville, Kentucky. Segundo as autoridades lhe contaram, Michelle terá sido levada pela mãe, Debra Newton, quando tinha apenas três anos, e nunca mais foi vista pelo pai, Joe Newton, que a procurou durante décadas.

O reencontro entre pai e filha só aconteceu porque Debra, a mãe, hoje com 66 anos, foi detida, a 24 de novembro em The Villages, na Florida. De acordo com um mandado de detenção do gabinete do xerife do condado de Marion, a que a revista People teve acesso, Debra foi acusada de interferência na custódia. Terá refeito a vida, voltado a casar e passado a usar outro nome: Sharon Nealy.

A detenção só foi possível devido a uma pista gerada por uma notificação do Crime Stoppers sobre o caso, quando uma pessoa terá reconhecido Debra. A investigação recua a 2 de abril de 1983: nesse dia, Debra e a filha deixaram Louisville. Terá dito ao então marido, Joe Newton, que se deslocavam para a Geórgia devido a um novo emprego. Mas a dupla nunca regressou nem voltou a ser localizada. Uma busca nacional arrancou.

Em determinado momento, Debra chegou a figurar entre os fugitivos mais procurados pelo FBI em casos de rapto parental. Apesar do esforço prolongado, o processo acabou por sofrer reveses e em 2000, o caso foi arquivado depois de os procuradores não conseguirem contactar o pai.

Em 2005, Michelle foi retirada das bases nacionais de crianças desaparecidas, de acordo com o gabinete do xerife do condado de Jefferson. Em 2016, um familiar pediu a reabertura do caso, mas as autoridades continuaram sem conseguir localizar Michelle.

A visibilidade voltou a aumentar em 2024, quando o National Center for Missing & Exploited Children (NCMEC) divulgou uma imagem de progressão etária — uma estimativa de como Michelle poderia aparentar aos 45 anos — para reforçar os apelos públicos. O avanço chegaria no ano seguinte, com a identificação de Debra na Florida, que levou à detenção e, por consequência, à confirmação da verdadeira identidade da filha.

“Não trocava aquele momento por nada”, disse Joe à WLKY, citado pela People. “Foi como vê-la quando nasceu”.

Debra foi presente a tribunal em Louisville e libertada após um familiar pagar a caução, segundo a CNN.


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