sittithat tangwitthayaphum / Canva

Uma nova investigação aponta que os humanos não morrem simplesmente de velhice, com a maioria das mortes dos idosos a ser causadas por problemas cardiovasculares.
A expressão “morreu de velhice” pode soar reconfortante, mas um conjunto crescente de evidências científicas sugere que é enganadora. De acordo com uma nova revisão publicada na revista Genomic Psychiatry, o envelhecimento em si não causa diretamente a morte. Em vez disso, as pessoas morrem devido a falhas biológicas específicas, como ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais ou falência de órgãos, que se tornam mais prováveis com o avançar da idade.
A revisão, liderada pelos investigadores Maryam Keshavarz e Dan Ehninger, do Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas, analisou décadas de dados de autópsias em humanos e animais. A conclusão é clara: o envelhecimento aumenta a vulnerabilidade, mas não é a causa final da morte.
Nos humanos, as doenças cardiovasculares predominam de forma esmagadora. Estudos de autópsia mostram que os ataques cardíacos, os acidentes vasculares cerebrais e a insuficiência cardiopulmonar são responsáveis pela maioria das mortes, especialmente nos idosos.
Uma análise de pessoas com mais de 85 anos que morreram subitamente fora do ambiente hospitalar, constatou que aproximadamente três quartos das mortes foram causadas por eventos cardíacos. Mesmo centenários que pareciam saudáveis pouco antes de morrer não sucumbiram ao envelhecimento em si. Em vez disso, um sistema orgânico específico falhou de forma mensurável.
Analisando diferentes espécies, o padrão mantém-se, embora os pontos fracos variem. Os ratinhos, ratos e cães morrem com mais frequência de cancro. As moscas-da-fruta geralmente morrem quando o revestimento do intestino se rompe, enquanto certos vermes morrem após perderem a capacidade de engolir. Cada espécie tem um “calcanhar de Aquiles” biológico que acaba por ceder. O envelhecimento aumenta a probabilidade de falha, mas algo concreto desfere o golpe fatal, refere a Vice.
Esta distinção tem implicações importantes para a forma como a investigação sobre o envelhecimento é abordada. Intervenções como a rapamicina ou o jejum intermitente podem prolongar a vida dos animais de laboratório, mas principalmente retardando o aparecimento das doenças que frequentemente os matam. Os animais ainda morrem pelas mesmas causas, apenas mais tarde. Isto, defendem os autores, não é o mesmo que retardar ou reverter o próprio envelhecimento.
Em última análise, os investigadores defendem que o envelhecimento deve ser entendido não como uma causa de morte, mas como uma condição que aumenta a probabilidade de falhas específicas e identificáveis. Se a ciência espera prolongar significativamente a vida humana, concluem, o foco poderá precisar de mudar da luta contra o envelhecimento em si para a prevenção das doenças específicas que realmente o encerram.