Aos 29 anos, Marco Asensio ainda não perdeu o toque. Esta é a notícia neste sábado, depois de mais um golo, desta vez no triunfo (3-0) do Fenerbahçe frente ao Eyupspor.

O atacante espanhol chegou aos dois golos e três assistências nos últimos três jogos e oito golos e cinco assistências em 13 partidas pelo clube turco – números que comprovam que ainda sabe como se faz isto de chutar uma bola para um rectângulo com redes.

Mas não era claro que assim fosse. Nas últimas temporadas, no PSG e no Aston Villa, Asensio tinha vivido num relativo ocaso. Sim, teve lesões. E sim, teve boa concorrência. Mas em cada uma das temporadas fez mais de 30 jogos, acabando com média de sete golos e seis assistências, registo que não se coaduna com o nível que chegou a apresentar no Real Madrid.

O paraíso dos craques

“Estou habituado a estar em grandes clubes e quero trazer o meu ADN vencedor para conseguir grandes coisas aqui”, detalhou, quando chegou à Turquia, em Setembro.

Asensio sabia que levaria qualquer coisa especial a Istambul, possivelmente sabendo que é jogador a mais para campeonato a menos. Há talento na Turquia – e em especial em clubes como o Fenerbahçe –, mas há um bom motivo para que jogadores como Dzeko, Icardi, Immobile, Balotelli, Piatek ou Osimhen tenham feito o que quiseram por lá – mesmo a níveis diferentes, todos foram, na Turquia, melhores do que tinham sido em qualquer outro campeonato.

Jogadores da estirpe de Asensio não estão, em teoria, no patamar do que se joga na Turquia. A facilidade de Asensio neste contexto é tal que tem conseguido acrescentar em qualquer labor que lhe seja atribuído.

Como ala de um 4x2x3x1 marca golos. E faz o mesmo como médio interior de um 4x3x3 e como 10 de um 4x2x3x1. Utilizado em todas estas funções, Asensio acrescentou com golos e assistências em qualquer delas.

A única premissa mais estável é a de jogar mais pela meia-direita. Daí consegue jogar por dentro com o pé esquerdo e conseguir momentos de passe ou finalização.

Nadal ajudou

Asensio não joga pela selecção espanhola há mais de dois anos, mas não é difícil imaginar que regresse às opções. Voltar depois de dois anos não é a trajectória mais comum, mas Asensio também não tem crescido pelos caminhos mais triviais.

Apareceu tarde no “radar” dos principais clubes, só tendo chamado a atenção quando se estreou pelo Maiorca, já com 18 anos. Na altura, o Barcelona chegou a ter tudo certo para o contratar, mas discrepâncias de última hora com os valores fizeram o negócio cair. E aí entrou em cena… Rafa Nadal.

O tenista maiorquino, assumido adepto do Real Madrid, ligou a Florentino Pérez e aconselhou-o a assinar com Asensio. E o próprio presidente já chegou a contar que pediu a Nadal para ligar ao seu tio, na altura director-desportivo do Maiorca, para facilitar a negociação – falamos do ex-internacional espanhol Miguel Ángel Nadal.

O Real acabou por fechar o negócio por quatro milhões de euros, menos um do que o Barcelona tinha acordado – a diferença é que o Real aceitava pagar de uma vez, enquanto os catalães queriam parcelar a maquia.

Depois de quatro Ligas dos Campeões, três Mundiais de clubes, três Supertaças europeias e uma Liga das Nações, talvez as parcelas tenham saído caras.