Durante anos, a Dreame habituou-nos a ver os seus logótipos colados a robots aspiradores, purificadores de ar e secadores de cabelo, sendo que tivémos 2 produtos oferecido no Passatempo, o Dreame L10s Ultra Gen 2, e outro que ainda vai ser conhecido em breve. A marca chinesa construiu reputação na casa inteligente e até no segmento de beauty, mas 2025 trouxe uma reviravolta: a estreia no universo dos smartphones.
O primeiro modelo, conhecido internamente como Dreame E1 (W5110), surgiu em registos oficiais europeus, deixando pouca margem para dúvidas sobre a sua chegada ao nosso mercado. E, pelo que já se sabe, não será apenas um “teste de águas”.
Ecrã AMOLED e câmaras que querem palco
O Dreame E1 deverá apostar num painel AMOLED de 6,67 polegadas, um formato que se tornou o “sweet spot” para quem quer um ecrã grande sem ultrapassar a barreira do desconforto. A utilização de AMOLED sugere pretos profundos, maior eficiência energética em conteúdos escuros e compatibilidade com taxas de atualização elevadas — ainda que a frequência específica não esteja confirmada.
No capítulo fotográfico, a proposta é ambiciosa para um primeiro esforço: câmara principal de 108 MP, acompanhada por um conjunto de sensores de apoio onde se incluem um módulo macro de 2 MP e um sensor de profundidade de 2 MP. A surpresa maior surge à frente, com uma câmara de 50 MP para selfies e videochamadas, uma escolha que normalmente só vemos em equipamentos orientados para criadores de conteúdo. Se a afinação de software estiver à altura, há aqui margem para fotos detalhadas e recorte de retratos consistente, tanto de dia como à noite.
Bateria para um dia inteiro e um carregamento mais conservador
A autonomia fica a cargo de uma bateria de 5.000 mAh, valor que, aliado ao ecrã AMOLED, deverá garantir um dia de utilização sem sobressaltos para a maioria dos utilizadores. No carregamento, a Dreame parece jogar pelo seguro com 33 W por cabo — suficiente para não nos deixar agarrados à tomada, mas abaixo do que muitos rivais de gama média já oferecem.
A contrapartida? Um foco claro na saúde da bateria a longo prazo: os dados apontam para até 800 ciclos mantendo 80% da capacidade, um número que supera a média do setor e que interessa a quem planeia manter o telefone durante vários anos.
Eficiência energética e reparabilidade com selo europeu
O nome do Dreame E1 não apareceu apenas em rumores: foi referenciado na base EPREL, a plataforma da União Europeia que classifica eficiência e reparabilidade. O rótulo associado ao equipamento indica classificação A em eficiência energética e B em resistência a quedas e facilidade de reparação.
Para o consumidor, isto traduz-se em duas mensagens importantes. Primeiro, o telefone foi desenhado para ser frugal no consumo, algo que se alia bem à bateria de grande capacidade. Segundo, a estrutura e o design interno foram pensados para resistir e permitir intervenções técnicas com menor complexidade, o que reduz o custo de manutenção e prolonga a vida útil do produto.
Conectividade completa e pequenos luxos que raramente vemos
Num mercado que vai sacrificando portas e funções em nome da “limpeza” do design, a Dreame segue um caminho agradável para quem valoriza versatilidade. O E1 deverá chegar com 5G, NFC para pagamentos e emparelhamentos rápidos, leitor de impressões digitais sob o ecrã e classificação IP64 contra poeiras e salpicos.
Mas há mais: mantém a entrada de áudio de 3,5 mm e rádio integrada, duas funcionalidades cada vez mais raras e que continuam a fazer sentido em cenários concretos — desde usar auscultadores com fio com latência nula até ouvir informação local sem depender de dados móveis.
Processador, preço e estratégia: as interrogações que faltam responder
Faltam peças-chave no puzzle. O chipset permanece um mistério, assim como as variantes de memória e o preço para a Europa. Sem estas coordenadas, é difícil posicionar o Dreame E1 face à concorrência direta. Ainda assim, o conjunto de especificações indica que a marca não quer aterrar no segmento de entrada; mira antes a gama média com argumentos sólidos: ecrã AMOLED, fotografia com números que chamam a atenção, autonomia competente e uma lista de extras que acrescenta valor real no dia a dia.
Uma nota adicional merece a nova assinatura “Dreame Space”, que poderá ser a bandeira escolhida para este capítulo mobile. Se se confirmar, faz sentido do ponto de vista de marketing: separar a história de aspiradores e pequenos eletrodomésticos de uma aventura que exige outro ritmo, outras parcerias e ciclos de atualização próprios do mercado dos smartphones.
Expetativa para o Dreame E1
O Dreame E1 desenha-se como um smartphone pragmático, feito para quem quer um ecrã de qualidade, boas selfies e autonomia fiável, sem abdicar de elementos práticos como o jack de 3,5 mm ou a proteção contra salpicos. A estratégia de optar por 33 W poderá ser vista como conservadora, mas a aposta na longevidade da bateria e na eficiência pode conquistar quem privilegia durabilidade. Se o preço for competitivo e o processador acompanhar — com um foco em eficiência e conectividade, claro — a estreia da Dreame no mobile tem tudo para ser mais do que um exercício de branding.
Para já, ficamos atentos à apresentação oficial. O registo europeu é um sinal claro: o lançamento na UE está no horizonte. Resta saber quando, por quanto e com que ambições a Dreame pretende conquistar espaço num mercado onde os detalhes fazem toda a diferença.
Fonte: EPREL e shiftdelete

