Dois corpos deram à costa, esta manhã, um na praia de Moledo, em Caminha, e outro na praia de Ínsua, em Afife, Viana do Castelo. As autoridades acreditam que pertencem aos pescadores indonésios desaparecidos num naufrágio há precisamente uma semana, quando a embarcação em que seguiam sofreu um golpe de mar e se virou.
Em comunicado, a Autoridade Marítima Nacional (AMN) indica que o alerta para a presença do primeiro corpo, encontrado na praia de Moledo, foi recebido pelas 8h56, através da GNR, enquanto a indicação de um segundo corpo no areal, desta vez na praia de Ínsua, chegou pelas 11h30, através do Centro de Coordenação de Busca e Salvamento de Lisboa. Em ambas as situações foram accionados elementos da Polícia Marítima (de Caminha e de Viana do Castelo), os bombeiros locais e a Polícia Judiciária.
No primeiro caso o óbito foi confirmado pelo delegado de saúde, enquanto no segundo coube ao médico do INEM, chamado ao local, fazê-lo.
As vítimas foram transportadas para o gabinete médico-legal de Viana de Castelo, pelos bombeiros, e o gabinete de psicologia da Polícia Marítima foi activado, estando a prestar apoio aos sobreviventes do naufrágio e aos familiares dos desaparecidos.
Os corpos pertencerão a dois dos três pescadores indonésios que estavam desaparecidos desde domingo, dia 14, quando a embarcação Vila de Caminha naufragou, ao final da manhã.
A bordo seguiam ainda o mestre da embarcação e um outro pescador, que conseguiram chegar a terra, depois do naufrágio, que aconteceu numa zona rochosa perto da ilha de Ínsua, em Caminha. As buscas pelos três desaparecidos acabariam por ser suspensas dois dias depois, a 16 de Dezembro, sem qualquer resultado.
Nesse mesmo dia, um novo naufrágio, da embarcação Carlos Cunha, pertencente a um armador do espadarte de Vila Praia de Âncora, que ocorreu ao largo de Aveiro, terá vitimado outros quatro pescadores da Indonésia. As vítimas continuam desaparecidas. A bordo desta embarcação seguiam outros três pescadores que foram resgatados, mas um acabaria por morrer.
Os pescadores indonésios são cada vez mais presentes nas embarcações portuguesas e todos são unânimes em dizer que, sem eles, a actividade pararia ou sofreria um rude golpe. De tal forma que este ano o Governo decidiu alterar o decreto-lei que limita a presença de trabalhadores estrangeiros a bordo de embarcações nacionais a 40% do total da tripulação, permitindo que essa presença seja “ilimitada”.
Notícia actualizada com a indicação da descoberta de um segundo corpo.