Outrora titular no FC Porto e internacional pela Colômbia, Fredy Guarín terminou a carreira em 2021 e vive no país natal, enquanto recupera da dependência do álcool e cuida da saúde mental. Em entrevista ao Corriere della Sera, o antigo médio revela que começou a beber no Inter Milão, em 2011, vício agudizado na China, a partir de 2016.
«Comecei a beber no Inter, estava a sofrer com o divórcio. O Zanetti, Mancini e Icardi tentaram ajudar, mas o problema era grande demais, difícil de controlar. Por isso, tive de sair. A situação piorou na China. Os meus filhos estavam longe e sentia-me responsável. Bebia, treinava, jogava. O futebol foi o meu terapeuta naqueles anos, era a única coisa que me obrigava a cumprir as responsabilidades.»
Em 2019, Guarín regressou à América do Sul, pela porta do Vasco da Gama, mas a pandemia aprofundou o problema. Em 2021 foi detido por violência doméstica contra o pai e outros familiares.
«O mundo parou e eu fiquei ainda mais sozinho. Agredi o meu pai, mas não estava em mim, estava alcoolizado. Agora, sempre que posso, abraço-o e peço desculpa. Também tentei acabar com minha a vida, por três vezes. Deus salvou-me. (…) Pedi ajuda ao meu agente e à minha psicóloga.»
«Levaram-me para uma fundação, deixei de beber e voltei a treinar. Seis meses depois reencontrei os meus filhos, que não via há quatro anos. (…) Não me perdoaram no imediato, mas com o tempo compreenderam. Agora trabalho na fundação com a minha psicóloga, quero colocar a minha experiência à disposição das pessoas.»
Fredy Guarín, de 39 anos, terminou a carreira em 2021, então vinculado aos colombianos do Millonarios. Pelo FC Porto conquistou Liga Europa, Liga (três), Taça de Portugal (três) e Supertaça (três).
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