Michael Satterlee / Solefully

Com apenas 18 anos, Michael Satterlee criou vários negócios e fatura mais de 250 mil euros por mês
Um jovem empreendedor que fatura centenas de milhares de dólares por mês explica como qualquer pessoa pode lançar um negócio de comércio eletrónico com uma impressora 3D — e apenas algumas centenas de dólares.
O jovem Michael Satterlee percebe bem o que é lançar negócios com um orçamento curtíssimo.
Ainda andava no ensino básico quando criou a sua primeira empresa de comércio eletrónico, que vendia um produto repelente de areia que criou ele próprio, com gel desinfetante e amido de milho.
“Na altura eu não tinha dinheiro nenhum, por isso usei uma aplicação gratuita como o Google Sites em vez do Shopify — e, para o pagamento, tinha uma conta Amazon Handmade”, conta o empresário, hoje com 18 anos, à Business Insider, referindo-se ao mercado da Amazon para produtos artesanais, que dispensa a taxa mensal de venda aos criadores aprovados.
“Ou seja, eu tinha uma conta Amazon gratuita, uma conta Google Sites gratuita, e depois o meu ‘botão de compra’ era apenas um link para a minha loja na Amazon. Foi assim que comecei a vender”, detalha o jovem empreendedor.
A empresa do repelente de areia financiou o seu projeto seguinte, uma marca de acessórios para socas chamada Solefully — que, por sua vez, financiou o seu grande êxito: a Cruise Cup, que vende vários produtos, incluindo o seu viral “suporte tático para latas”.Só em Novembro de 2025, os negócios de Satterlee geraram 300.000 dólares em vendas (cerca de 250 mil euros), valor que a Business Insider confirmou ao analisar uma captura de ecrã do painel do Shopify.
O jovem, que vive na casa onde cresceu, nos arredores de Albany, no estado de Nova Iorque, que decidiu não ir para a universidade para fazer crescer a Cruise Cup, explicou como começar a vender produtos online com algumas centenas de dólares.
1. Começar por prototipar
Um elemento central do negócio de comércio eletrónico que lançou foi trabalhar com um fornecedor para transformar um produto em realidade, um processo que pode ser demorado, sobretudo se o fabricante estiver no estrangeiro, e caro, porque normalmente há uma quantidade mínima de encomendas.
A solução de Satterlee foi criar produtos com uma impressora 3D. O jovem prendeu impressão 3D e modelação em CAD (desenho assistido por computador) numa disciplina que teve no primeiro ano do ensino secundário, e defende que qualquer pessoa consegue começar a criar e a testar produtos com uma impressora.
“Consegue-se uma impressora 3D por uns 100 dólares e um rolo de filamento custa uns 20 dólares. Hoje em dia, o software de modelação é tão fácil; há até IA em que basta escrever um prompt e ela gera um modelo pronto a imprimir em 3D”, detalha Satterlee.
Será preciso fazer alguns ajustes antes de chegar a um produto que satisfaça, disse: “Assim que tenho a ideia, passo para o CAD e começo a trabalhar — e é bastante raro acertar logo à primeira.”
Ainda assim, consegue avançar muito mais depressa do que se estivesse a trabalhar com um fabricante, a enviar amostras para trás e para a frente. Demorou cerca de três dias a prototipar a primeira versão do seu suporte viral para latas e cerca de uma semana até pôr o produto à venda.
2. Testar várias ideias de produto
Satterlee acredita em criar um produto rapidamente e ir melhorando a partir daí, em vez de passar meses a tentar aperfeiçoá-lo. Essa é uma grande vantagem de trabalhar com uma impressora 3D: é possível criar produtos em poucos dias, com baixo custo, e testar o mercado antes de decidir investir tempo, dinheiro e materiais numa produção em escala.
A Solefully surgiu depois de ter experimentado vários produtos no Etsy, até que por fim um dos produtos “pegou”: um acessório em forma de limpa-neves para socas. Ao perceber que havia procura, decidiu montar uma loja inteira dedicada a acessórios para socas.
“Garantam que a vossa ideia existe, em primeiro lugar, e tornem-na boa depois”, diz Satterlee. “As pessoas diziam-me muitas vezes: ‘Qual é o sentido de um refrigerador de latas ser impresso em 3D? Não é isolado. Não vai manter a bebida fria.’ Mas eu não queria saber. Eu via o potencial. Se têm uma ideia, dêem-lhe vida o mais depressa possível e depois logo se vê.”
3. Aproveitar recursos gratuitos
No comércio eletrónico, “muitos dos custos iniciais são gratuitos”, diz Satterlee. Depois de ter os materiais essenciais — a impressora e o filamento — podemos começar a criar e a publicar conteúdos nas redes sociais sem pagar.
“O Instagram e o TikTok são as coisas mais importantes quando se está a começar, porque queremos ganhar seguidores e queremos vendas orgânicas e tráfego orgânico”, explicou. Em vez de comprar anúncios, concentrou-se em criar conteúdo com potencial viral.
Quanto à plataforma de vendas, “o Shopify custa 1 dólar por mês nos primeiros três meses e, depois disso, 35 dólares por mês”. Outras despesas iniciais podem incluir envelopes almofadados para enviar encomendas e uma impressora de etiquetas para criar as etiquetas de envio.
Satterlee já ultrapassou o espaço de trabalho original, a casa onde cresceu, e agora opera a partir de um armazém próximo, que arrendou. Tem atualmente mais de 130 impressoras 3D a trabalhar sem parar para produzir os produtos da Cruise Cup, mas isso não chega para acompanhar a procura.
O passo seguinte é criar um molde com um fabricante, o que custará entre 20.000 e 30.000 dólares, mas lhe poupará tempo e dinheiro a longo prazo. “O produto final, na minha cabeça, é quando isto for fabricado em aço inoxidável”, disse.
Recentemente, fizemos a cinco aplicações de Inteligência Artificial uma pergunta interessante: como ficar rico depressa, legalmente e sem depender da sorte. Quase todas nos disseram que uma das formas era montar um negócio por conta própria — algo que considerámos, no artigo, que dependia de já termos à partida algum capital.
Afinal, as IAs tinham razão, e Michael Satterlee mostra-nos que é possível, com muito pouco capital, montar um negócio bem sucedido.