Recentemente, Pedro Chagas Freitas deixou uma mensagem no Instagram que não deixou os seguidores indiferentes.
“O Paulo perdeu um filho, o Afonso. Foi atropelado há pouco mais de um ano numa passadeira, o condutor (que tinha antecedentes criminais e já estivera envolvido em outros atropelamentos) colocou-se em fuga. Conheço o Paulo desde os tempos de Liceu. Conhecia-lhe a inteligência, o sentido de humor, o carisma. Era a pessoa que ele era. Agora é um pai que perdeu um filho. Quando um pai, uma mãe, perde um filho, deixa de ser o que era, passa a ser um pai, uma mãe, que perdeu um filho. Não se supera algo assim”, começou por garantir o escritor.
De seguida, Pedro Chagas Freitas sublinhou: “É imbecil pensar ou pedir que se supere algo assim. O buraco vai estar lá: tem de estar lá. Ontem, o homem que atropelou o Afonso foi condenado a 14 anos de prisão. Diz-se que se terá queixado, em tribunal, de que era injusto. O problema das palavras fortes é que qualquer um as pode usar. Este homem vai para a cadeia, mas não está condenado a nada. Quem está condenado é o Paulo, é a Carla, a mãe do Afonso. O que é injusto é um pai, uma mãe, perderem o filho numa passadeira.”
“Ontem, ao ouvir as declarações do Paulo à saída do tribunal, pensei na questão do propósito: qual é o propósito de um pai que perdeu o filho? Como se mantém viva a presença de alguém que nunca deixará de estar presente? O Paulo respondeu: ele, a Carla, vão continuar num caminho que devíamos percorrer com eles: lutar pelo agravamento da moldura penal de quem atropela e foge. São às centenas todos os anos. São centenas de filhos, de pais, de irmãos, de amigos, que perdem filhos, pais, irmãos, amigos em passadeiras, em estradas. Quem o faz foge, esconde-se, não é visto como o criminoso que é”, refletiu, antes de assinalar: “O Paulo é um pai que perdeu um filho. Já não vai com ele ao futebol, não vai vê-lo escolher um trabalho, talvez casar, ser uma pessoa grande, plena, completa; mas quer vê-lo fazer a diferença, ajudar a prevenir que existam outros Paulos, outras Carlas, outros Afonsos brutalmente estendidos pelo país. A petição já foi entregue. Se não resultar em nada, aqui estarei, gostava que aqui estivéssemos muitos, muitos, a fazer o que for preciso para que as entidades que podem agir deixam de estar surdas a pais assim, a vazios assim.”
“Abraço-te, Paulo. Abraço-te, Carla. Aguentem-se, por favor”, completou.
Veja, agora, algumas das melhores imagens de Pedro Chagas Freitas nas galerias de fotografias que preparámos para si.