Alex Ferguson chegou ao Manchester United em 1986, foi campeão pela primeira vez em 1993. O escocês teve uma margem de manobra de sete anos. Ruben Amorim chegou a meio da época passada e o seu Manchester United não está ainda pronto para vencer a Premier League. Se vai demorar dez anos a chegar lá, com disse Sir Alex há poucos dias? Impossível de dizer, mas os resultados continuam a dificultar uma previsão optimista. Neste domingo, os “red devils” perderam por 1-2 em casa de um Aston Villa que, sem se dar muito por ela, está em terceiro lugar, a apenas três pontos do líder.

Não se pode dizer que o United não deu luta e que não teve circunstâncias atenuantes para mais esta derrota, a 21.ª em 60 jogos com Amorim no banco. Três dos jogadores mais importantes foram para a Taça das Nações Africanas (Mazraoui, Diallo e Mbeumo), outro dos titulares estava castigado (Casemiro), outro estava lesionado (De Light) e Bruno Fernandes saiu lesionado ao intervalo.

Mesmo em modo “manta de retalhos”, o United conseguiu dar troco a uma das equipas em melhor forma da Premier League. O problema do United no Villa Park não foi o ataque – marcou um golo, esteve perto de marcar mais várias vezes e até tem o segundo melhor ataque da Premier League, 31, apenas atrás do City, com 41. O problema, mais uma vez, foi a sua defesa – já vai com 28 golos sofridos, 14.ª defesa mais batida da Liga.

Houve equilíbrio na primeira parte, com United e Villa a trocarem oportunidades. Pelos “red devils”, Matheus Cunha (3’) e Sesko (22’) tiveram o golo nos pés, pelos “villains” foram John McGinn (7’) e Morgan Rogers (8’). O marcador só funcionou no final dos 45’, com um grande remate de Rogers a fazer o 1-0 para a equipa de Birmingham – um grande tiro de fora da área após uma recuperação de bola em cima da linha lateral e a aproveitar uma marcação deficiente de Leny Yoro.

O United levou pouco tempo a reagir. Ainda durante o tempo de compensação, num momento de pressão alta, Dorgu recuperou uma bola, encaminhou-a para Matheus Cunha e o brasileiro fez o empate. Era um bom sinal para a equipa de Amorim, que seria obrigado a substituir Bruno Fernandes, lesionado, ao intervalo.

O pior registo pós-Ferguson

Os “red devils” entraram na segunda parte cheios de boas intenções, mas voltaram a sofrer com a fragilidade da sua defesa, e com a inspiração de Morgan Rogers aos 56’. Mais um grande tiro do 27 do Villa, mais uma aproximação deficiente de Yoro e 2-1 para a formação orientada por Unai Emery. Nos festejos, o técnico basco até tirou o casaco e lançou-o ao ar.

E não era para menos. Esta foi a 11.ª vitória nos últimos 12 jogos para o Aston Villa, uma série que incluiu vitórias sobre o Manchester City e o Arsenal, as duas equipas que estão à sua frente na classificação geral. Quanto ao United, numa jornada em que podia entrar nos quatro primeiros, desceu para o 7.º lugar, com apenas 26 pontos – e aquele pobre adepto dos “red devils” que apostou o seu cabelo numa série vitoriosa, vai continuar cabeludo por mais uns tempos.

Este foi o 60.º jogo de Ruben Amorim como treinador do Manchester United e, como já dissemos, a sua 21.ª derrota – perdeu mais de um terço dos jogos disputados e o número de vitórias (23) é marginalmente maior. E como as coisas estão, Amorim está a ter o pior registo entre os treinadores pós-Ferguson, que se retirou em 2013: está com 38% de vitórias. Contando apenas com os que não foram interinos, aqui fica a percentagem de vitórias de cada um dos técnicos antes da chegada de Amorim: David Moyes (53% em 51 jogos), Louis van Gaal (52,4% em 103), José Mourinho (58,3% em 144), Solskjaer (54% em 168) e Erik ten Hag (54,7% em 128).

“Penso que fomos a melhor equipa”, disse no final o técnico português. “Tivemos azar, mesmo com a lesão do Bruno, fomos melhores. Fizemos um trabalho muito bom, mas ninguém se vai lembrar disso, porque o que interessa é o resultado. Estamos a melhorar. Acho que merecíamos muito mais”, reforçou Amorim.

Parece, de facto, que o United está melhor agora do que na época passada – e a prova está na classificação, em 7.º, bem dentro da luta por um lugar na Champions, sendo que em 2024-25, por esta altura, estava em 13.º. O problema é que não consegue ganhar mais do que três jogos seguidos – e só o conseguiu fazer por uma vez esta época. Assim, por mais sinais positivos que Amorim veja, o United não vai ser campeão tão cedo.